Artistando, Música

O cara, o violão e o pedal…

abril 28, 2017

São Paulo, 28 de Abril de 2015.
Terça-feira, 21:30.
Espaço das Américas, Barra Funda.

Um pedestal.
Uma looping pedal.
Um cara segurando um violão.
Uma multidão com garganta de aço, coração mole e choro frouxo.

“Ooh I’m a mess right now
Inside out
Searching for a sweet surrender
But this is not the end…”

Essas foram as primeiras palavras da noite.

Sem oi, olá e é bom estar aqui. Direto ao assunto, sem rodeios.
E meu coração parou.
O ar saiu todinho do meu pulmão e quando voltou, eu cantei como se minha vida dependesse daquelas palavras.
Cantei com ele, por ele, para ele e berrei as letras que tanto significam para mim com todo mundo ao redor porque todo mundo estava ali pelo mesmo motivo: por ele e pelo violão porque não tem ele sem violão.
E eu, honestamente e do fundo do meu coração, nunca vi algo como o que aconteceu naquele palco.
Ele se perdeu.
Se perdeu em si mesmo, em sua própria arte, se perdeu no microfone, no violão e no pedal que é sua marca registrada, o que o faz ser o tipo de artista que é: único.
Foda.
O violão virou bateria e depois virou guitarra e baixo e a multidão era o backing vocal e os efeitos especiais também. Ele o vocalista, nós a banda.

Foi o melhor show da minha vida.

Entendam, não é exagero de minha parte.
Já fui em mais shows de pessoas que sou fã do que sou capaz de lembrar. Algumas vezes, duas vezes no exato mesmo show, mas nenhum como o dele, com alguém como ele.
Nenhum show em que a única ordem seguida é a sequência das musicas, já que essa é a única coisa quase certa sobre toda a turnê. De resto, tudo é uma completa bagunça.
Musicas de 3 minutos se transformaram em musicas de 8 minutos.
Improvisos criados de acordo com o público, como ele mesmo esclareceu.
Musicas que terminaram começo da música seguinte, sem tempo pra respirar.
Gritos que tomaram conta do espaço e até quem não quis, entrou na vibe e gritou junto.
O primeiro verso foi dele, os demais tem mais três musicas diferentes no meio, desde clássicos a raps pra depois finalizar com a música dele de novo e de alguma maneira absolutamente estranha, fez sentido.
Ele faz sentido.
O que ele faz no palco faz sentido.
Eu e aqueles milhares de pessoas estarem ali, cantando até não ter mais voz, sacudindo a mão até os ossos arderem, acendendo celulares e qualquer coisa que brilhe porque ele pede, gritando sob o comando exigente dele, sempre pedindo para que gritemos mais alto faz sentido, porque ele vale a pena.
Porra, ele vale a pena.
E eu poderia escrever pelo menos 50 páginas explicando todos os motivos pelos quais ele vale a pena, motivos pelos quais ele vale qualquer esforço, mas vou ater-me somente ao lado musical por hora.
Musicalmente, artisticamente, autenticamente, drasticamente, ele vale a pena.
O palco é dele, o show é dele, o violão é dele e ele é de todo mundo que parou e prestou atenção no que aconteceu naquele palco quando tocou Bloodstream, Give Me Love e You Need Me, I Don’t Need You.
E quando ele começou I See Fire ainda tocando Feeling Good e foi Michael Bublé a Hobbit, o delírio foi geral e todo mundo se perdeu também.
Quem é fã ficou sem chão por antecendência.
Quem não era, perdeu o chão sem a menor intenção.
Os pais que estavam lá por obrigação não sabiam o que esperar ou não tinham expectativas nenhuma, nada além do que ouviam em casa e quando perceberam que estavam errados em não esperar nada e passaram a fazer parte da turma dos gritos, eram só sorrisos e elogios em tons impressionados do tipo “Caramba, o cara é bom mesmo”.

“Cause with the lyrics I’ll be aiming it right
I won’t stop till my name is in light
Stadium heights with damien rice
On red carpets, now I’m on arabian nights
Because I’m young I know my brother’s gonna give me advice
Long nighter, short heigh, and I’m going hyper
Never be anything but a singer-songwriter
yeah the game’s over but now I’m on a new level
Watch how I step on the track without a loop pedal…”

O sorriso dele me fez derreter todinha.
Ali estavam milhares de pessoas que saíram de casa por um único cara, todo mundo estava ali por ele. Dos pais aos namorados e amigos que não conheciam e só estavam acompanhando, todos estavam ali por ele.
E ainda assim, ele encontrou uma maneira de olhar pra frente, depois olhar pra baixo e sorrir com vergonha, a ponto de ficar corado, como se não merecesse ou acreditasse.
E quando eu olhei para trás e todo mundo cantava junto, com os celulares iluminando todo o lugar, alguns rostos molhados por lágrimas incessantes, eu sorri também porque talvez ele não saiba ainda, talvez ele não entenda, mas os pedaços de papel que ele rabisca as letras e os acordes e as notas nunca foram tão relevantes como naquele momento.

Foi de arrepiar.

Ouvir todo mundo cantar junto, mesmo quando ele não pedia, foi de arrepiar.
Ser parte de algo daquela dimensão foi de arrepiar.
Ver o sorriso bobo no rosto dele foi de arrepiar.
Foi de tirar o fôlego.
Ver meu cantor, compositor e musicista favorito no palco foi de tirar o fôlego.
Ver ao vivo o que ele é capaz de causar sozinho em milhares de pessoas foi de tirar o fôlego.
As luzes piscando no palco, o rosto multiplicado por quatro no telão, ele pulando em cima da caixa de som, os gritos de “oooohs” e “aaaahs” e “shalalalala”, e a expectativa de que a corda do violão fosse estourar a qualquer momento por causa da avidez e urgência que foram tocadas foi de tirar o fôlego.
Ouvir minha música favorita ser tocada pelo meu músico favorito, enquanto ele dançava ao fundo com tanta graça… Puta que pariu, foi de tirar o fôlego.
Então ele foi pra música final e pediu para todo mundo cantar até não poder mais e como seu pedido foi ordem, nós cantamos.
Cantamos repetidamente “oooooh” até ele não estar mais no palco e as luzes do espaço acenderem, avisando que foi aquilo, tinha acabado.
Sem tchau, adeus e foi um prazer estar aqui essa noite.
Ele começou o show e nós encerramos a plenos pulmões.

E foi de tirar o fôlego encerrar aquele show com toda aquela gente.
Ele foi de tirar o fôlego.
Ele foi de arrepiar.
Ele valeu a pena.

*

Um memoir de dois anos atrás, escrito quatro dias depois da segunda vez que eu pude presenciar esse espetáculo que é o menino Ed Sheeran ao vivo. Mês que vem, ele volta ao Brasil e meu coração e todo o meu eu estão loucos para estar lá, mas não vai dar. Dessa vez, só o coração e a vontade vão ter que bastar. Quanto a saudade desse show, acho que vou carregar para sempre comigo. Foi bom demais viver aquilo tudo com gente que eu gosto e que grita e canta e xinga na mesma sintonia ♡

Palavreando, Vida

“Para a minha Pituca. Amô da vida”.

abril 17, 2017

Há um mês, meu amigo foi para o Brasil visitar a família dele.

Quando você mora fora, toda vez que alguém volta para casa, mesmo que para uma breve visita, é um grande evento, tanto para quem vai quando para quem fica. Como todo o amigo saindo de férias, ele perguntou o que eu queria de lá que não tem aqui. Coisas viáveis, é claro porque se fosse falar as que vem na ponta da língua, não caberiam nas malas. Essas a gente tem que guardar no coração, infelizmente.

Pedi um All Star branco, um All Star amarelo e um livro de poesias do Lucão, o Telegramas. Ah, e pedi também um coador de café de pano porque esses de papel deixam o café com gosto de nada, com gosto de papel mesmo. Como meu Vô, minha Vó e minha mãe me ensinaram, ‘panela velha é que faz comida boa’. Estavam certos, principalmente se tratando de café.

Minha mãe, como toda boa mãe, ficou mais que feliz em mandar tudo o que eu pedi. Como toda boa mãe com saudade, só faltou vir até aqui para entregar tudo do tão pouco que eu pedi. Não foi dessa vez, mas logo ela vem.

Meu amigo, como todo bom amigo, trouxe as encomendas. Fiquei radiante com o All Star, o amarelo não tinha na loja então ela mandou a alpargata de um ano atrás que ela tinha certeza que eu ia amar – e eu amei porque ela me conhece melhor do que eu me conheço – e o livro, na embalagem de presente da Saraiva com a letra dela escrita no selo.

“Para a minha Pituca. Amô da vida”.

Foi um soco no estômago quando eu vi a letra dela. A letra dela continua tão linda, toda uniforme, pequena, delicada. Eu lembrei da maneira que ela escreve, sempre rápida mas cada linha de cada letra com um capricho e simetria de dar inveja. Eu e minha mãe sempre fomos ligadas pelas palavras, principalmente palavras escritas.

A letra dela me deu (mais) saudade de casa.

E como casa é o sinônimo dela, então mais saudade dela.

Saudade dos bilhetes que ela deixava antes de sair encima da minha escrivaninha. “Tira a carne do congelador”, “não esquece de lavar a louça”, “coloca o lixo pra fora”, “amo você, Pitu”.

Saudade dos bilhetes que eu deixava “fui ali e já volto”, “não me espera acordada”, “fui comprar pão”, “te amo, velha”.

E apesar da gente viver numa era de celular e tanta opção de tecnologia que chega a dar tontura, a gente sempre se comunicou por bilhetes porque ela sabia do meu amor pela escrita e eu do quanto ela gostava de escrever. Pensando nisso agora, apesar da minha mãe não ser muito fã de leitura, ela sempre foi muito fã de escrita e eu acho que finalmente entendi, depois de todo esse tempo, de onde vem essa minha necessidade de escrever as coisas a mão antes de passar para o computador, de escreve no papel e caneta antes de ter que, finalmente, me adequar a uma das modernices da vida. Foi ela quem me deu essa sede de escrita, dentre tantas outras coisas maravilhosas que só ela pôde me dar.

Hoje ninguém mais me deixa recado. Vez ou outra um post-it, quando muito. E eu tenho saudade dos bilhetes que ela me deixava, mesmo quando eram só pedindo alguma coisa que eu ia revirar os olhos, mas ia acabar fazendo de qualquer maneira porque o pedido dela era sempre uma ordem disfarçada. Gentil assim, minha mãe. Uma mulher de classe, muitos diriam. E eu que não era boba nem nada, logo fazia o que o bilhete mandava (pedia).

Confesso que eu também não deixo mais bilhetes. Não acho que as pessoas apreciariam um post it colado quando uma simples mensagem no WhatsApp resolveria a situação toda. O que é extremamente triste, confesso. Minha alma é velha quando se trata de palavras. A alma das pessoas é muito nova quando se trata de receber palavras à moda antiga.

O livro do Lucão fala muito de saudade, assim como todo o livro de qualquer poeta que se preze. E a saudade dos bilhetes dela me deu até vontade de criar a minha própria poesia, ela como matéria prima das minhas linhas.

bilhete da saudade

saudade vem das coisas pequenas

da letra uniforme, delicada e bonita

das palavras que guardamos, a muito não ditas

saudade vem do tênis branco, do amarelo e da alpargata crua

saudade é isso mesmo, é da significância de coisas insignificantes 

mas que para a gente que vive de distância

são grandes demais. 

Só quem sofre de saudade o tempo todo

e tem amor das antigas pelas palavras

sabe a diferença que um escrito,

uma mensagem bonita,

uma mensagem bem escrita 

faz. 

Faz saudade parecer menor, mesmo não sendo.

Faz parece que a gente controla o tempo, mesmo não tendo.

Faz a gente ser mais saudade do que já é. 

Saudade vem das pequenas coisas, 

das pequenas palavras, 

dos pequenos gestos

de grandes amores. 

Austrália, Pé na Estrada, Sydney

UM DIA EM BONDI BEACH

abril 3, 2017

Continuando minha série de posts de Sydney, não podia deixar de falar de uma das marcas registradas da cidade: Bondi Beach. Da água azul, aos icebergs, as pistas de skate, os grafites que cobrem todo o paredão e os surfistas maravilhosos que estão por toda parte, saindo da água como se estivessem em câmera lenta para chamar atenção MESMO, é difícil não se apaixonar por Bondi no minuto que a gente pisa na praia e dá de cara com todo aquele mar azul maravilhoso que parece pintado à mão.

Nos primeiros dias que passamos em Sydney, pegamos um tempo super feio e nebuloso. Sem chuva ou frio, mas com muitas nuvens. Por um milagre divino – valeu São Pedro! – no nosso penúltimo dia, o Universo resolveu conspirar e mandou aquele sol de rachar e sedenta de bronze que somos, entramos no ônibus e partimos. Na realidade, não foi bem assim que a coisa aconteceu. De começo, abriu um solzinho tímido. Fomos para Bondi, tomamos café da manhã por lá e depois caminhamos pela praia. A questão é que durante essa caminhada despretensiosa, abriu um solzão gigante e nós estávamos sem biquini e já era tarde, mas como em Sydney escurece às 21h, voltamos correndo pro hostel, nos trocamos e voamos para a praia para aproveitar até porque todos os dias que ficamos sem sol foram compensados em Bondi o que, convenhamos, não foi nada mal.

Primeiras impressões

Que vibe gostosa da porra! Parece que em Bondi não existe estresse, não existe buzina, não existe barulho e não existe nada além do mar e das ondas. É aquele tipo de lugar que transmite tranquilidade no meio do caos que é Sydney, apesar de Bondi não ser pequena também. Tinha gente trabalhando, gente saindo do trabalho com a prancha debaixo do braço, tinha gente andando, tinha gente pedalando, remando encima do skate, correndo de encontro ao mar com a prancha de baixo do braço, a sede de água salgada visível. Eu olhava ao redor e só tinha gente sorrindo, conversando, cochilando, lendo livro, ouvindo música ou jogando uma partida de vôlei com os amigos em plena quinta-feira à tarde e apesar de saber que a vida não é só feita desses momentos, foi bom olhar ao redor e ver felicidade em tantos rostos desconhecidos.

Chegando na cidade

Ônibus! Acredito que exista trem também, mas nós fizemos o percurso de ônibus, até porque era minha primeira vez e eu queria ver aos arredores, prestar atenção nos caminhos, nas características do lugares que íamos passando. O percurso entre Darlinghurst e Bondi leva em torno de uns 30min. Carregue o Opal, o cartão de transporte público de Sydney e bora pegar um bronze!

O mocha do LYFE Cafe, o melhor que já tomei na vida

Onde comer 

Essa sessão do post nem teria necessidade porque nós comemos apenas em um lugar durante todo o dia. O motivo pelo qual eu estou escrevendo? Eu tomei o melhor mocha da minha vida – sem exagero! – em Bondi, no LYFE Cafe. Se você está andando com pressa e não presta atenção, o café quase passa despercebido, porém, a quantidade de gente do lado de dentro e de fora não nega que o café é favorito da galera que mora pelos arredores. O dono ou manager, é um espanhol tão simpático que chega a ser folgado e faz você se sentir em casa no minuto que pede uma mesa. Experimente também um dos smoothies e o lanche de haloumi com tomate, é de dar água na boca só de digitar e lembrar do gosto!

Foi em Bondi que fiz topless em espaço público pela primeira vez. Eu que sou a favor e faço bom uso das minhas liberdades sem passar por cima da dos outros, assim que percebi que o espaço não tinha nenhuma restrição e muita gente fazendo a mesma coisa, logo arranquei a parte de cima do sutiã e me libertei. Para as meninas que tem vontade de fazer, mas que por algum motivo se restringem, um recado: não tenha medo. O corpo é seu, assim como a liberdade e não há ninguém no mundo que possa dizer o que você pode ou não fazer. Se você se sente confortável e absolutamente segura de si, a única pessoa que vai te impedir de exercer essa liberdade vai ser você mesma.

Bronte Beach

Bondi to Coogee Coastal Walk

Uma das coisas mais maneiras para fazer em Sydney Bondi to Coogee Coastal Walk. O percurso de 6km leva em torno de 1-2 horas para ser finalizado e é uma das melhores atrações da viagem, com vistas incríveis do oceano, das piscinas construídas em conjunto com o mar, das casas de veraneio. Infelizmente, nós começamos a caminhada tarde e não conseguimos terminar todo o percurso porque já estava escurecendo. No entanto, começar a caminhada tarde valeu muito a pena porque pegamos o por do sol boa parte da coastal walk e aficionada que sou por pores do sol, fiquei maravilhada com toda aquela abundância de beleza que nem reparei o quanto a gente já tinha andado.

Existem muitos lugares legais para conhecer na costa de Sydney, como Manly, Coogee, Bronte, Tamarama Beach, Maroubra, dentre outras. Particularmente, fiquei apaixonada por Bondi e a vibe gostosa da cidade. Se tiver um tempo, de quarta-feira rola em Bondi a balada Beach Road, um pub enorme que tem espaço para todo mundo e todos os gostos: rola música ao vivo, pista eletrônica, hip hop and R&B em outra pista. E muita gente bonita, muita mesmo!

Cotidiano, Fotografia

DOMINGO FOI DIA DE CAMINHADA

março 21, 2017

Crédito das fotos para a melhor roommate, fotógrafa e modelo ♡

Dois Domingos atrás deveria ter sido um Domingo qualquer. Nossa folga, a gente em casa sem vontade de viver porque na nossa concepção, Domingo é dia de não fazer absolutamente nada. Mas a gente precisava buscar uma carta do outro lado do rio, o que envolveu pegar o barco de graça da cidade, atravessar o rio na hora do por do sol e andar uns 20 minutos até chegar no nosso destino final.

O que a gente não contava é que aquele por do sol naquele parque seria o lugar ideal para duas aficionadas por fotos resolverem passar um tempo fotografando. Foi a primeira vez que fui num dia de sol no Kangaroo Point Park, o parque que fica exatamente na frente do meu local de trabalho  e eu nunca havia visitado num horário comum. Vimos o por do sol, passarinhos cantando, pessoas caminhando, andando de bicicleta, de skate ou simplesmente paradas, admirando o sol dando espaço para a lua brilhar.

Foi preciso uma caminhada despretensiosa naquela Domingo de sol para eu querer passar a viver de Domingo. Bom, pelo menos uma parte do dia, de qualquer maneira. Quero agora sair de Domingo, andar de bicicleta pela cidade, caminhar em lugares que nunca fui, pedalar para lugares que nunca pensei existir na cidade que moro há um ano mas que me surpreende a cada dia. Foi preciso uma caminhada despretensiosa naquela Domingo de sol para eu mudar minha perspectiva de que talvez e somente talvez, Domingo também seja dia de viver. Talvez seja mais dia de viver do que qualquer outro dia.

Eu precisei daquele Domingo de sol para finalmente parar de acordar às 4h da tarde e passar a explorar a cidade que eu moro. Conhecer parques, cafés, restaurantes, galerias, becos, vielas, bairros, avenidas. Sem querer, a vida vem e coloca na gente uma vontade de fazer algo diferente diariamente, combater a preguiça, parar de criar desculpas, caminhar, correr, andar de bicicleta.

Gratidão por aquele Domingo de sol que me despertou a vontade de viver num dia que eu sempre vivi como se fosse um dia de morrer, de não abrir cortinas, de não sair de casa. Imagine se eu tivesse perdido aquele sol de Domingo? Que tristeza de dia teria sido.

 

 

6 on 6, Artistando, Fotografia

6 ON 6: ADELE LIVE

março 6, 2017

Adele. Ontem foi dia de realizar um dos sonhos de fã: ver esse monumento de mulher ao vivo. Meus amigos, que espetáculo de show, de voz, de mulher, de personalidade, de humor, de uma graciosidade que ela jura que não tem, mas esbanja. Esse é um daqueles shows que eu não me importaria de ir toda semana porque além de ser um puta espetáculo musical, as pausas viram um show de stand-up porque a mulher não para de contar piada e falar palavrão o tempo todo. Que musicalmente seria um show incrível era fato, mas irreverência e humildade da Adele tornou tudo ainda mais prazeroso e quem já era apaixonado pelo trabalho dela, se apaixonou muito mais pela mulher por trás de todo esse vozerão.

Muito amor pela queima de fogos em Set Fire To The Rain, as crianças que estavam no show aparecendo no telão em Sweetest Devotion – me fez chorar um pouquinho – e para a galera fazendo a festa em Rolling In The Deep e cantando com tamanha devoção em Someone Like You. Falando nessa última, o discurso que ela faz antes de começar a cantar é de tirar o fôlego. Minha favorita do show inteiro? Provavelmente Send My Love (to Your New Lover), onde ela pede para todo mundo levantar para cantar, independente da regra do estádio de que todos deveriam permanecer sentados durante o show.

I know heartbreaks can be hard but I’m addicted to the feeling of falling in love with someone for the first time. That is the best feeling in the world.

Pedaço do discurso antes de Someone Like You, a música que encerra o show.

 

Austrália, Pé na Estrada, Sydney

TRAVEL JOURNAL: SYDNEY, AUSTRÁLIA

fevereiro 27, 2017

Sydney não é a capital da Austrália, mas poderia muito bem ser. Grande, ativa, bem estruturada, bonita, cheia de pontos turísticos, museus, boates, pubs, galerias de arte, cafés, restaurantes, lanchonetes, street markets, coastal walks com praia, piscina e praia e piscina tudo junto, Sydney é um dos lugares mais diversos para onde já viajei. Dos bairros as boates, tem espaço para todo mundo e gente de todos os tipos. Diversidade deveria ser o nome do meio de Sydney.

Quando comprei minha passagem no começo de Janeiro, tinha grandes expectativas nessa viagem por dois motivos: 1) seria minha primeira viagem acompanhada, uma vez que sempre viajei sozinha e 2) seria minha primeira vez em Sydney. Por muito amor do Universo, todas as expectativas foram superadas e fui surpreendida diariamente enquanto turistava pela cidade. Existe um ditado entre a galera que diz que você não chegou na Austrália se não foi para Sydney e não tirou AQUELA FOTO na frente do grande Opera House. Posso dizer agora que, depois de um ano morando aqui, finalmente cheguei, de fato, na Austrália e tirei não só uma, mas VÁRIAS fotos na frente das cascas de laranja mais famosas do mundo.

Primeiras impressões 

Trânsito e muita muita muita buzina. Morando em Brisbane há um ano, me desacostumei com barulheira, cidade grande e buzinas! Acreditem, em um dia em Sydney ouvi mais buzinas do que ouvi em Brisbane o tempo que moro lá. Claro que o tamanho da cidade condiz com a quantidade de carros, pessoas e barulhos, mas mesmo assim, parecia que eu estava de volta em São Paulo, o que me deu uma sensação de casa e logo me acostumei com a barulheira. Outra coisa que você vai perceber assim que chegar, especialmente se já reside na Austrália: a quantidade de europeus em Sydney, especialmente alemães! Que a Austrália é um país multicultural, não é segredo para ninguém, mas a quantidade de europeus é relativamente maior em Sydney se comparada a outras cidades, como Brisbane, por exemplo.

Chegando na cidade

Passagens: como toda boa viajante com o budget apertado que se preze, viajamos com a companhia aérea mais barata e conseguimos pegar passagens em promoção: AU$118, ida e volta pela Tigerair, a companhia low cost mais famosa daqui. Quem curte viajar e não sabe quando comprar passagem, aqui vai uma dica: todas as terças-feiras, a Tiger faz a Tigerair Tuesday, com promoções para vários destinos em várias datas acessíveis. Claro que as ofertas tem data limitada, mas sempre consigo bons negócios durante as terças. Quanto ao tempo de viagem, o percurso inteiro entre Brisbane e Sydney leva apenas uma hora e passa tão rápido que quase não dá tempo de dormir.

No aeroporto: a distância entre o aeroporto e o centro de Sydney é relativamente longa, o que inabilita pegar um Uber por um preço bacana. Já sabendo da distância, decidimos fechar nosso transporte para a acomodação x acomodação para aeroporto com a Redy2Go, empresa especializada em shuttles localizada dentro do aeroporto de Sydney. Por AU$44, fechamos o transporte de ida e volta para o aeroporto, com pickup and dropoff na nossa acomodação. As vans são extremamente confortáveis e possuem Wi-Fi dentro, caso você precise se comunicar com alguém e não possua plano de celular australiano. É muito comum ter Wi-Fi pelas cidades australianas por conta da alta demanda de turistas que chega diariamente.

Parceira de Austrália e dessa viagem maravilhosa ♡

Um dos dormitórios do Nate’s com vista para a Harbour Bridge

A cozinha, ótimo lugar para conhecer a galera do hostel

O rooftop, onde rolam barbecues e uma das áreas comuns para fazer novas amizades

Todas as fotos: Nate’s Place Website

Acomodação

Para a nossa estadia, decidimos ficar no Nate’s Place Backpackers, hostel localizado em Darling Hurst e com uma vista massa para a Harbour Bridge. O hostel é super organizado e limpo, o que nos deixou aliviadas, uma vez que reservamos sem indicação. Havíamos fechado um dormitório mix com 12 camas, mas conseguimos um upgrade com o mesmo valor para um com apenas 6 camas e dividimos o quarto com uma galera super gente boa e divertida. O hostel tem cozinha com vários utensílios para a galera que prefere economizar com comida, sala de televisão, rooftop com barbecue área, banheiros separados por sexo e recepção 24 horas. A diária ficou em torno de AU$27, totalizando para os 4 dias um valor de AU$107. Importante: na hora de efetuar o pagamento, será cobrada uma taxa de AU$20 de segurança, que será devolvida no momento do check-out.

Localização: excepcional! O Nate’s fica bem no centro, há 15 minutos de caminhada do Opera House e da Harbour Bridge e em uma das ruas principais da cidade, a William St. Tem mercado, loja de conveniência, ponto de ônibus, estação de trem tudo na mesma rua. Como nós optamos por fazer tudo a pé, a localização não poderia ter sido melhor. Caminhando 10 minutos, estava o Hyde Park e o Australian Museum e mais um monte de lojas, fast foods, restaurantes, bares, shoppings.

Para mais opções de acomodação, meus dois preferidos para buscas são o Hostelworld e o Booking.com

Café brasileiro no Ovo Café: uma saudade que não cabia no peito ♡

Café, cestinha com coxinha, bolinho de queijo e quibe e pingado com requeijão e catupiry ♡

Fish and Chips, o clássico australiano no Buckleys, localizado na famosa Circular Quay

As panquecas do Pancakes On the Rocks

Onde comer 

Eis aqui uma das minhas partes favoritas de qualquer viagem: COMIDA. Ou melhor, descobrir comidas e restaurantes e sabores. E isso Sydney tem a oferecer para quem quiser, para todos os gostos e paladares. Onde nós comemos?

  • Ovo Cafe – Darlinghurst ($): sem dúvida o meu lugar favorito na viagem. O Ovo é um café brasileiro localizado há 5 minutos no nosso hostel que oferece uma opção vasta de comidas, de café da manhã a almoço. Tem café brasileiro, bolo de cenoura, pastel, bolinho de bacalhau, feijoada, moqueca, frango caipira, etc.
  • Buckleys – Circular Quay ($): nossa voltinha na circular mais famosa da cidade rendeu um almoço típico australiano: fish and chips. O restaurante tem uma vibe bem gostosa e informal, com vista para a Harbour Bridge e cheia de turistas. Se não tiver mesa, peça para sentar com a galera e será super bem recebido.
  • Pancakes On the Rocks – The Rocks ($$): a famosa casa de panquecas da Austrália. Com diversas opções de doce e salgado, vale a pena demais dar uma passadinha e comer uma deliciosa panqueca feita totalmente de leite com manteiga. O menu oferece das mais variadas opções, desde panquecas frutadas as clássicas com sorvete e chocolate. O melhor de tudo? A localização! Fica do lado da Harbour Bridge, no bairro mais legal de Sydney!

Hyde Park

Galeria de Arte de New South Wales

Por dentro o sorriso estava quase rasgando o rosto!

Biblioteca Pública de New South Wales

Sorrindo muito porque como é que não fica feliz viajando? 


Roteirinho de 4 dias!

  • Primeiro dia: café da manhã no Ovo Cafe, passeio pela Art Gallery of New South Wales – para quem curte arte como nós duas, vale a pena conferir os vários Picasso e Monet em exibição na galeria -, volta no Hyde Park, caminhada até Darling Harbour e passeio no SEA LIFE Sydney Aquarium (AU$37.80 com desconto de cupons). Para finalizar a noite, as quartas-feiras rola em Bondi a balada na Beach Road, clube imenso que rola música ao vivo e com pistas de dança para todos os gostos. Entrada gratuita!
  • Segundo dia: passeio pelo Botanic Gardens até a Circular Quay, almoço no Buckley’s, Opera House, Harbour Bridge e ferry até o Luna Park. Com o ferry, tente ficar em um lugar bacana porque rende várias fotos maneiras, principalmente quando ela passa por baixo da Harbour Bridge. Como era Australia Day, acabamos nos juntando com uma galera do hostel para irmos ao Maloney’s Hotel, um pub com música ao vivo pertinho do centro.
  • Terceiro dia: dia na praia em Bondi Beach e coast walk até Coogee. Como só conseguimos pegar sol e calor no terceiro dia, corremos para a praia. O próximo post da viagem vai ser inteirinho dedicado a Bondi, então não vou prolongar muito por aqui.
  • Quarto dia: café da manhã, check-out do hostel e shuttle para o aeroporto de volta para Brisbane.

As opções para roteiros em Sydney são diversas, mas como ficamos pouco tempo, demos prioridades aos principais lugares. Numa próxima visita, com certeza cobriremos mais coisas, como o Blue Mountain National Park, Manly Beach e alguns outros bairros legais, como Newton e o The Rocks.

Os posts dessa viagem ainda não acabaram, tem muita foto para rolar nosso próximos dias. Tem nosso passeio espetacular no SEA LIFE Sydney Aquarium e o dia que passamos em Bondi Beach e nossa caminhada até Bronte, porque não deu para chegar até Coogee por conta do horário que começamos a caminhada.

Quanto ao budget, colocamos uma meta de AU$400 incluindo alimentação, acomodação e transporte, o que conseguimos manter. Comemos pelo menos duas refeições na rua por dia, saímos apenas duas vezes para balada e usamos ônibus e Uber. Eu consegui comprar souvenires e fazer tudo o que queria dentro do meu budget, o que foi uma surpresa imensa porque sou completamente desorganizada e desfocada com dinheiro.

E aí, ficaram com vontade de ir para Sydney? E se já foram, comentem dicas de lugares que eu devo visitar na próxima vez que estiver pela cidade!

Amor, Palavreando

UMA CRÔNICA SOBRE O VALENTINE’S DAY

fevereiro 15, 2017

Essa é uma das fotos preferidas que tirei. Há três anos, caminhando na praia com os amigos, esses dois roubaram nossa cena, nossos sorrisos e suspiros. O amor tinha o mesmo tamanho, andava na mesma sincronia e enquanto um descansava, o outro sustentava porque o amor é isso, não é? É não se sustentar em pé, mas não deixar que o outro também caia. 

Enquanto folheava as páginas do meu caderninho de couro marrom com todos os meus pensamentos durante todo o ano passado, cruzei o caminho com esse texto logo depois que cheguei em casa, cansada de ter trabalhado durante todo o Valentine’s Day no restaurante. Na época, estava muito confusa em relação ao que fazer com o meu antigo blog e o atual que, na realidade, era outra ideia completamente diferente e no fim das contas, fiquei com o texto só no caderno mesmo. Como eu finalmente criei meu espaço para postar tudo o que já não cabe aqui dentro, decidi publicar com um ano de atraso, afinal de contas, ninguém está contando.

Ontem foi Valentine’s Day de novo e mais uma vez, passei trabalhando, servindo ao amor alheio. Quando escrevi o texto abaixo no ano passado, minha intenção não era observar nada ao meu redor, só trabalhar, sorrir e acenar. Acontece que com o passar daquele 14 de Fevereiro, as coisas foram chamando minha atenção e eu passei a observar os detalhes de cada mesa que ia e foi dai que surgiram esses parágrafos. Esse ano, fiz questão de observar cuidadosamente tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Com um posição diferente no restaurante, pude prestar atenção do começo ao fim nos casais, nas varias faces dos amores que por ali passaram.

O que eu percebi ontem é que parecia que estava faltando amor à mesa. Os pratos estavam cheios, os copos não ficavam vazios um segundo sequer, a comida não parava de vir, era prato principal atrás de entrada e sobremesa atrás de prato principal, mas as pessoas pareciam vazias de amor, de esforço, de vontade de estar ali, de celebrar. Tirando o rapaz que pediu para eu entregar a caixinha em formato de coração para a namorada e o sorriso de felicidade dela e a carinha de tímido dele, o ar estava tomado de obrigação e não de adoração, o que deixou meu coração… ah, amigos, ele ficou partido e meu consolo foi que teve amor de sobra ano passado e é daquele Valentine’s Day que eu quero contar para vocês.

14 de Fevereiro de 2016,

Eu sempre achei o Valentine’s Day mais um dia qualquer para comemorar o amor. Uma data escolhida minuciosamente no calendário onde se faz necessário presentear, elogiar, levar para almoçar e jantar, AMAR. Talvez eu pensasse isso porque todos os meus Valentine’s Day foram passados sozinha, na companhia de comedias românticas clichês ou ouvindo músicas de fossa, evitando qualquer tipo de contato com as redes sociais e suas incansáveis declarações de amor. Não era inveja, nunca foi. Na realidade, eu AMO o AMOR. Era mais uma precaução por conta do excesso extremamente exagerado e muitas vezes falso de AMOR.

Esse ano o cenário foi diferente e me abriu os olhos para o real significado do Valentine’s Day. Não é somente sobre casais, declarações melosas e dramáticas de amor.

Eu entendi o significado da coisa toda, o que o dia, de fato, representa. É sobre expressar o AMOR sem vergonha, sem limites, sem pudor. É dia de perder a vergonha de AMAR e SER AMADO, de dar e receber, de DISTRIBUIR AMOR a quem quiser.

Esse ano eu trabalhei durante o tida todo no Valentine’s Day servindo ao AMOR. Eu vi todo o tipo de amor e então, entendi que não era somente sobre casais apaixonados, namorados, noivos, esposas e maridos ou até mesmo primeiros encontros em uma data tão simbólica.

NÃO.

Esse ano foi sobre o casal que reservou a mesa no restaurante e o rapaz pediu para colocar um buquê de rosas na mesa. Quando chegaram para almoçar, não era um casal qualquer: era ele, de cabelo grisalho e sorriso envergonhado e ela, de cabelos cinzas e óculos, maravilhada com as flores. Eram eles, que deviam ter passado mais Valentine’s Day juntos do que eu tenho de idade e ainda assim, ele não deixava de surpreende-la e ela de ficar maravilhada. Eram eles, ainda apaixonados.

Esse ano foi sobre o filho que levou os pais para jantar e comemorar. Eles, já velhinhos, sentaram na mesa e comeram um peixe acompanhado de vinho. O filho olhava e sorria para os dois, satisfeito com o amor, o fruto do amor a frente dele. Foi de encher o coração ver ali, o amor e suas raízes, os papeis invertidos. Havia chegado a vez do filho levar os pais no encontro, não vice-versa.

Esse ano foi sobre ela, que olhava para ele como se fosse a coisa mais preciosa do mundo todo. Bem, para ela talvez seja. Cada um sabe da preciosidade do outro. Eu cheguei a mesa, falei o nome dos pratos e não obtive resposta. Esperei um momento até eles notarem minha presença e percebi então que, na visão dela, eu não estava ali; na visão dele, eu nem sequer existia. Enquanto ele falava, ela não piscou um segundo sequer, como que com medo de perder qualquer mudança na expressão facial dele. Seus olhos pareciam emojis de coração. Foi só quando ele me viu que ela notou minha presença. Se ele tivesse continuado falando, ela estaria até agora olhando para ele, sem piscar.

Esse ano foi sobre ele, que não estava na mesa quando eu apareci para oferecer pimenta. Ela, por sua vez, estava lá e falou que eu podia colocar pimenta no prato dele. Perguntei se tinha certeza e me ofereci para voltar depois. Ela sorriu, acenou com a cabeça que não seria necessário e falou ‘pode colocar bastante pimenta, ele gosta’. Quando eu terminei, ele voltou para a mesa e eu falei que havia colocado pimenta na comida. Ele me olhou animado e falou ‘bom, eu amo pimenta!’. Eu sorri para ele e olhei para ela, que sorria com aquela cara de ‘eu te avisei’. Pois é, ela me avisou. Burra fui eu não ter acreditado que ela não sabia que ele AMA pimenta. Dentre outras coisas, ele também AMA pimenta.

Então esse ano foi sobre MAIS AMOR. Não foi somente sobre casais, não mais. Foi sobre todas as formas de AMOR. Foi sobre os olhares apaixonados, as mãos segurando uma as outras por cima da mesa, sobre a sobremesa dividida, sobre o vestido novo e a camiseta que virou camisa, só por uma noite. Foi sobre a pimenta!

Para mim, foi muito mais que tudo isso. Para mim, foi sobre a saudade e a distância. Foi sobre todos que eu AMO estarem a horas, quilômetros, oceanos de distância. Foi sobre não celebrar o amor com eles, por eles, o amor deles. Foi sobre entender que os grandes gestos estão nas pequenas coisas e que tudo que é ‘pequeno’ tem muito mais valor em significado do que as coisas grandes demais.

Nunca fui fã de grandes coisas, de extravagancias. Sempre valorizei as pequenas coisas, os pequenos toques, as pequenas e discretas declarações de amor. Desde que saí de casa há três meses, as coisas tomaram uma dimensão diferenciada. As pequenas coisas ficaram cada vez maiores em significado.

Se tem uma coisa que a estrada ensina as pessoas é que nada é pequeno demais ou insignificante. Da mensagem de oi ao eu te amo, tudo é imensidão.

Artistando, Literatura

LIVRO: HOLDING UP THE UNIVERSE, DE JENNIFER NIVEN

fevereiro 12, 2017

Desde que li All The Bright Places, no Português, Por Lugares Incríveis, da Jennifer Niven, me apaixonei pelo trabalho dela e vinha ansiando por qualquer coisa que ela escrevesse, seja velha ou nova. No final do ano passado, foi divulgada a sinopse de Holding Up The Universe, no Português, Juntando os Pedaços, e sem ler o livro, já sabia que me apaixonaria pela história. Mais uma vez, a autora tocou em assuntos que sou completamente apaixonada e que sempre procuro em livros: desafios, aceitação, romance, empoderamento, reflexão. Com uma delicadeza só dela, mais uma vez Jennifer trouxe à tona assuntos que fazem refletir e ver o mundo com outro olhos. Em Por Lugares Incríveis, Jennifer trouxe para a luz temas delicados, como depressão e suicídio, enquanto em Holding Up The Universe, foram abordados gordofobia e prosopagnosia, uma doença que impossibilita o portador de reconhecer rostos.

Não gosto de resenhas, deixo isso para os blogs especializados nessas coisas. Porém, separei os meus trechos favoritos desse que já entrou para a lista dos meus livros favoritos. Como eu li em Inglês, vou postar os trechos que mais gostei na língua original e tentar traduzir alguns ao pé da letra, uma vez que não consegui encontrar uma cópia em Português do livro online para postar traduzido.

Sinopse: o livro conta a história de dois adolescentes no high school, Libby Strout e Jack Masselin. Ela, que já foi considerada a “adolescente mais gorda dos Estados Unidos”, passou parte da vida trancada em casa, lidando com a perda da mãe, o luto do pai e seu peso que quase a colocou a beira da morte. A questão é que todo mundo só a conhecia pelo seu peso, mas ninguém nunca parou para prestar atenção em como ela é muito mais do que sua aparência. Ele, passou parte da vida fazendo de tudo para agradar os outros, se enturmando, charmoso, sorridente. O típico cara popular da escola. O que ninguém sabe, no entanto, é que ele sofre de uma doença que o impossibilita de reconhecer rostos. Pais, irmãos, amigos, ele mesmo: tudo é um mistério a ser desvendado diariamente. Quando os dois se encontram na escola, ele a vê e passa a enxerga-la e ela, que finalmente decidi viver e ver o mundo, o vê também e apesar de não ter problemas em reconhecer rostos, ela o enxerga pelo que ele realmente é, não pelo o que ele quer que as pessoas o vejam.

“Quanto ao resto de vocês, lembrem-se: VOCÊ É QUERIDO. Grande, pequeno, alto, baixo, bonito, normal, simpático, tímido. Não deixe ninguém te dizer ao contrário, nem mesmo você. Especialmente você”. 

Esse livro mudou minha vida de uma maneira inexplicável. Foi o primeiro livro que li esse ano e acho que não poderia ter começado meu ano literário de maneira melhor. O motivo pelo qual eu sou apaixonada pelos trabalhos da Jennifer é a maneira como ela te faz sensibilizar com os personagens, com os seus problemas, suas batalhas. Faz com que você se coloque dentro das situações e se entregue de corpo e alma para o livro, para a história que ela conta. Você chora com os personagens, comemora quando algo bom acontece, sofre como se a historia fosse toda sua e enquanto você lê o livro, talvez se torne um pouco sua também.

É impossível ler esse livro ou o anterior e não se sensibilizar com cada linha. Quando eu busco uma nova leitura, busco algo que me faz repensar na vida, meus valores, me tornar uma pessoa melhor, me ensinar algo e esse livro fez exatamente isso, me fez repensar sobre como a vida é curta e a importância de cada momento, como nós podemos diariamente trabalhar em sermos pessoas melhores e nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos, me ensinou muito sobre tempo, sobre valorizar as pessoas, reforçou meu apreço pelas pequenas coisas da vida e principalmente, me ensinou que todo mundo está lutando uma batalha diferente diariamente, seja com o coração, com a cabeça, com o corpo, com amor próprio e que, independente da situação que nos encontramos, nossas batalhas são nossas e só depende de nós lutarmos para ganharmos e sairmos vitoriosos. Ninguém vai lutar nossas batalhas pela gente e culpar o mundo pelas coisas darem errado não vai fazer com que elas se acertem. Tudo é parte de um processo e tudo leva tempo.

If everyone who had something to say about me spent as much time on, I don’t know, practicing kindness or developing a personality or a soul, imagine how lovely the world would be. 

Se todo mundo que tivesse algo a dizer sobre mim passasse o tempo, sei lá, praticando gentileza ou desenvolvendo uma personalidade ou alma, imagine o quão amável o mundo seria. 

Foto: Tumblr

“You can’t always be fine. No one’s always fine”.

“Você não pode estar sempre bem. Ninguém está sempre bem”.

I know, I get it. It’s easy to give everyone what they want. What’s expected. The problem with doing this is you lose sight of where you truly begin and where the fake you, the one who tries to be everything to everyone, ends.

Eu sei, eu entendo. É fácil dar a todos o que eles querem. O que eles esperam. O problema em fazer isso é que você perde a noção de onde você realmente começa e onde o falso você, o que tenta ser tudo para todo mundo, termina. 

Finally, Dusty says, “Why are people so shitty?”

“People are shitty for a lot of reasons. Sometimes they’re just shitty people. Sometimes people have been shitty to them and, even though they don’t realize it, they take that shitty upbringing and go out into the world and treat others the same way. Sometimes they’re shitty because they’re afraid. Sometimes they choose to be shitty to others before others can be shitty to them. So it’s like self-defensive shittiness”.

“Why would being afraid make someone act shitty?”

“Because maybe someone doesn’t like who he is, but then there’s this other kid who knows exactly who he is and seems pretty damn fearless. Well, that can be intimidating and even though it shouldn’t, it can make that first kid feel even worse about himself”.

“I’m pretty sure I see you because I love you. And yeah, I guess I love you because I see you, as in I see you, Libby, as in all of you, as in every last amazing thing”.

“Eu tenho certeza que eu te vejo porque eu te amo. E sim, eu acho que eu te amo porque eu te vejo, eu te vejo mesmo, Libby, tudo em você, cada pedaço incrível”.

And this whole ‘pretty for a fat girl’ thing. I mean, what is that? Why can’t I just be pretty period?

E essa coisa de ‘bonita para uma garota gorda’. Quer dizer, o que é isso? Por que eu não posso só ser bonita e ponto?

  • Libby: I never said I like you.
  • Jack: …
  • Libby: Jack?
  • Jack: What you’ve just heard is the sound of my heart dying a swift and sudden death.
  • Libby: Hypothetically speaking, if – and I’m not saying I do – but if I was to like you, what would you do about it?
  • Jack: I would probably want to hold your hand.
  • Libby: Probably?
  • Jack: Hypothetically, yes. I would definitely hypothetically want to hold your hand.
  • Libby: Well then, I would probably hypothetically hold yours back.

Do fundo do coração, peço que leiam esse livro quando tiverem a oportunidade. Lembro que carregava ele para cima e para baixo e quando entrei numa loja, a atendente veio perguntar se era bom porque ela estava em dúvida se comprava ou não e eu, basicamente, fiquei uns 5 minutos falando dos motivos pelos quais ela deveria ler. No final, ela deu risada e disse “tudo bem, tudo bem, você me convenceu”. Espero que esse post tenha feito o mesmo com vocês.

As scary as it is to go after dreams, it’s even scarier not to. 

Por mais assustador que possa ser ir atrás de sonhos, é mais assustador não ir.

6 on 6, Fotografia

6 ON 6: BRISBANE

fevereiro 10, 2017

Brisbane, minha casinha por esse um ano e pouco de Austrália e por mais esse que ainda vou permanecer na terrinha. Não é a maior cidade, a mais movimentada, a mais famosa, mas é essa calmaria toda que faz Brisbane ser casa de quem chega por aqui. Pequena, quente, gostosa de morar, sou perdidamente apaixonada por esse lugar desde que cheguei e me bate uma saudade só de pensar que logo estou de partida e vou deixar tudo para trás, da cidade as pessoas que também viraram casa.

Enquanto a hora do adeus não chega, curto a vista e a vida por aqui ♡

Pé na Estrada, Rio de Janeiro

UM DIA EM ARRAIAL DO CABO

fevereiro 8, 2017

Um dos novos queridinhos dos brasileiros para viajar é Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Considerado por muitos o “Caribe brasileiro”, Arraial tem tudo o que o Nordeste, por exemplo, tem a oferecer: beleza abundante, águas cristalinas, clima delicioso, paisagens de tirar o fôlego e passeios para conhecer os arredores, sem deixar passar um detalhe desse paraíso recém descoberto.

Quando estava planejando minhas férias com a minha mãe para Búzios, Arraial automaticamente entrou na lista de lugares que reservaríamos um dia para conhecer, uma vez que a distância de um para outro é de apenas 1h de ônibus. Na nossa última sexta-feira da viagem, um tempo nublado e chuvoso, pegamos o ônibus e partimos para Arraial na esperança de que lá o tempo estivesse melhor. Infelizmente não estava, mas também não nos impediu de aproveitar ao máximo nosso último dia e explorar aquele lugar fantástico que tanto ouvíamos falar.

Escadaria das Prainhas do Pontal do Atalaia

Indo de Búzios

Para quem está hospedado em Búzios, diariamente saem ônibus a todos os horários para Arraial. É sempre importante ficar ligado para não perder o horário e ter em mente que, por ser uma linha pequena, há grandes chances de vir lotado, especialmente porque o ônibus passa por Cabo Frio antes, cidade vizinha de Búzios e anterior a Arraial do Cabo. O site Horário de Ônibus tem uma tabela atualizada com todos os horários de saída através da viação Salineira. O percurso dura em média de 1h a 1h30, dependendo do trânsito nas cidades. Planeje o horário certinho, pegue o ônibus e divirta-se!

Fenda de Nossa Senhora

O Renan, da Brilho do Mar Tour, que fez toda a diferença no nosso passeio ♡

O que fazer

Sem dúvida, o passeio de barco! Logo que chegamos, encontramos o amigo de uma amiga, o Renan da Brilho do Mar – Turismo Náutico, um querido que fez toda a diferença na nossa viagem. Ele explicou que pelo tempo estar feio, os barcos não estavam saindo para fazer passeios como nos dias normais, apenas um ou outro arriscava, mas que como era nosso último dia, nos levaria com os amigos que estavam em busca de ondas pelo cabo para um passeio só nosso.

Apesar do tempo feio, o passeio inteiro foi uma delícia. Conhecemos os pontos turísticos mais famosos, como a Fenda de Nossa Senhora, onde reza a lenda que um pescador em 1721 encontrou ali uma estatua de Nossa Senhora da Assunção e a Praia do Forno, que mesmo com a chuva continuava com a água quentinha. Também paramos nas prainhas do Pontal do Atalaia pra subirmos a famosa escadaria e darmos um mergulho nas águas cristalinas de Arraial. Uma das coisas mais legais do nosso passeio ‘particular’ foi que o Sr. Vinicius, o ex fuzileiro naval, sabia detalhadamente a historia de toda Arraial, assim como o pescador Rafael. Em um determinado momento do passeio, eles inclusive deixaram o barco na minha direção e no da minha mãe, indicando para onde deveríamos girar o leme!

Onde comer

Na Praia do Forno, paramos no Quiosque Sol & Mar para desfrutarmos de uma porção de camarão deliciosa! Apesar de deliciosa, o preço da porção é bem salgado: R$100! É importante prestar atenção no preço das porções e quiosques em Arraial porque os donos não tem medo de abusar, infelizmente. Inclusive saiu uma matéria no jornal sobre o valor abusivo dos produtos nas praias, então é sempre importante tomar cuidado e dar uma volta antes de parar no primeiro lugar que achar. Ainda na Praia do Forno, vale a pena conferir o Restaurante Flutuante, onde o acesso é feito durante o passeio de barco. Quando fomos, estava fechado devido a chuva, mas é uma das atrações que geralmente estão inclusas nos passeios de barco.

Para finalizar nosso dia, o Renan nos levou para dar uma volta na marina de Arraial e para conhecer o barco dele, o Brilho do Mar. De quebra, encontramos até o barco do Jack Sparrow, o Pérola Negra. Pelas fotos vocês podem ver que não pegamos um dia bonito, o que até dificultou para tirar fotos legais porque estava chovendo e eu queria curtir nosso passeio curto. Fomos num dia de tempo feio, mas as pessoas que conhecemos fez com que se tornasse um dia lindo. Mesmo com o tempo feio dá pra perceber que de feiura só tinha o tempo. Arraial é um dos lugares mais bonitos que já vi e somente estando lá para entender a fascinação geral pelo lugar. Como minha mãe mesmo disse “filha, não é photoshop não”.

Realmente, amigos, não é photoshop não.