Cotidiano

RECORTES & MOMENTOS DA VIDA EM AGOSTO

setembro 5, 2017

Agosto foi um mês cheio de mudanças e de momentos de solidão que, pela primeira vez, não pareceram infinitos. Começou com uma nostalgia gostosa, nostalgia essa que venho carregando comigo há tempos. Fez 4 anos que voltei do meu primeiro intercâmbio e é engraçado que todo ano tenho a necessidade de relembrar, de compartilhar com todo mundo a data porque foi um mês, uma série de momentos tão marcantes da vida que sinto ser egoísmo não compartilhar com o mundo o que foi a felicidade daqueles dias.

Sai de casa por 5 semanas por motivos de força maior e quando a ideia bateu na minha porta, fiquei puta. Era Julho, semana do meu aniversário, a pior semana que passei em muito tempo. Com saudade de casa, com pavor da solidão que vira e mexe toma conta, querendo o colo da minha mãe, querendo o abraço e aconchego dos meus amigos. A bomba veio com peso muito maior do que realmente era. Fiquei triste, fiquei com raiva, fiquei indignada mas no fim das contas, precisei sair. E sair foi bom, sair foi a melhor coisa que me aconteceu naquele exato momento porque nós não percebemos a necessidade de certas ações até que somos obrigados a vive-las. Fui morar com uma amiga, a primeira pessoa que morei na casa quando cheguei na Austrália e com mais duas amigas no novo apartamento delas. Assim como no começo, voltei para a sala. Nossas noites hoje são resumidas a filmes, gargalhadas, bebidas, cigarros de palha e pagodes e sertanejos do começo dos anos 2000. Nos fins de semana, amigos em casa, jogos de bêbado, Uno e mais risadas.

o que mais sinto falta é de como você me amava. mas o que eu não sabia é que seu amor por mim tinha tanto a ver com quem eu era. era um reflexo de tudo o que eu dei pra você. voltando pra mim. como não percebi isso. como. pude ficar aqui imersa na ideia de que mais ninguém me amaria daquele jeito. se fui eu que te ensinei. se fui eu que mostrei como preencher. do jeito que precisava ser preenchida. como fui cruel comigo. te dando o crédito pelo meu calor só porque você o sentiu. pensando que foi você quem me deu força. inteligência. beleza. só porque reconheceu essas coisas. como se eu não fosse tudo isso antes de te conhecer. e se não continuasse depois que você se foi.

milk and honey | outros jeitos de usar a boca • rupi kaur

Terminei o Milk and Honey ou Outros Jeitos de Usar a Boca, da Rupi Kaur, o meu novo livro de poesias favorito e que vou falar um pouco mais a respeito em outro post logo logo. Vi muita gente lendo esse livro, especialmente mulheres, o que me deixou muito muito feliz. Sou grande fã de poesia, mas não conhecia muitas pessoas da minha idade que apreciavam esse tipo de escrita. Felizmente, esse livro veio para mudar o conceito de poesia de muita gente e despertar o interesse de pessoas que antes, talvez não tivessem boas referências de poetas modernos que tem muito a dizer com seus pequenos versos. Assim como O Pequeno Príncipe, considero esse um livro que todos deveriam ler, principalmente nós, mulheres. É um livro tão absurdamente cru e honesto, que diversas vezes me peguei arrepiada e com os olhos marejados enquanto lia.

Fiquei sem internet quase o mês de Agosto inteiro, o que foi ruim para a minha conta do celular mas bom para a vida de maneira geral. Apesar de não ter conseguido postar aqui tanto quanto queria, ficar de certa maneira limitada a conexão me fez conectar mais com o mundo afora. Ao invés de me acabar nos episódios de Game of Thrones (estou obcecada e precisando de ajuda!), sentei no sofá e conversei. Preparei um café, comi um pão com ovo e comi panqueca e conversei mais um pouco. Deixei de lado o blog, os trabalhos do curso, as séries de televisão e me dediquei ao mundo fora da bolha. Foi ótimo, foi necessário não só para mim como para as pessoas. De certa maneira, me interessei mais pelo que tinham a dizer porque não tinha nenhuma distração.

Esse camisão amarelo é meu xodó ♡

Caminhei pela cidade com uma das minhas melhores amigas numa segunda-feira qualquer, demos risadas e fizemos idiotices em público, a marca registrada da nossa amizade. Celebrei o aniversário e formatura dela, os dois no mesmo dia. Gritei a vitória dela na formatura, cantei parabéns em público e celebramos com muitos salgadinhos e funk no fim de semana. Naquela mesma semana, conheci pessoalmente um cara que vinha falando há meses. Surpreendentemente, não o conheci no Tinder. Estamos juntos desde então, o que para mim é ainda novidade e um misto de sentimentos entre felicidade e medo e não sei qual dos dois prevalece a maior parte do tempo. O medo, provavelmente.

Fui no Ekka, o festival de agricultura que rola anualmente em Brisbane. Galera reunida, tomamos o famoso sundae de morango (esse da foto que tirei ano passado) e brincamos com cachorros, cabritos, burros, ovelhas e vimos a queima de fogos espetacular que faz a fama do evento. Fiquei todinha arrepiada quando começou a tocar Castle On the Hill do Ed durante os fogos. Me apaixonei por esse burro com carinha de feliz da foto, parecia que ele estava esperando o momento para sorrir para o celular. Tinham vários patos e porcos no evento e para quem não sabe, meus animais de estimação dos sonhos são um porquinho e pato, inclusive tenho uma amiga que me marca em todos os vídeos de porquinhos que encontra, rs.

Agora já é Setembro e daqui a pouco é hora de voltar para casa que já não sei mais se é a casa. A coisa de morar fora é que um lugar nunca é casa por muito tempo. Apesar de ter me mudado pouco comparada a outros amigos, a ideia de mudança me deixa cansada não só fisicamente, como psicologicamente. Se adaptar a um lugar novo pode ser muito fácil como muito difícil, especialmente se morando com pessoas de culturas diferentes e a incerteza do que vai ser me deixa ansiosa e nervosa por antecendência. Sei que já deveria ter me acostumado e querendo ou não, essa foi a vida que escolhi, mas ainda assim não torna a mudança mais fácil. Apesar de estar voltando para o lugar que venho morando desde Março, esse sentimento de desconhecido e incerteza suga minha energia.

Como dizem, que Setembro seja leve. Apesar de querer, sei que vai vir com um peso inevitável. Mais do que todos os outros, vai ser um mês de muita saudade e de tristeza, tristeza essa que venho evitando sentir mas que não posso fugir. Da saudade, ninguém foge. Da perda, ninguém está imune. Mas esse é assunto para outro momento, se eu tiver coragem de falar. Se não tiver, esse é o máximo que vou falar à respeito.

Fora isso, bem vindo Setembro.

Artistando, Literatura

PARA LER: NICOLA YOON

agosto 28, 2017

Já vinha ouvindo muito à de Nicola Yoon e seu livro Everything, Everything, em Português, Tudo e Todas as Coisas. Das poucas vezes que entrava no Tumblr ou das muitas que entrava no Pinterest, os posts intermináveis sobre esse livro me despertaram a curiosidade de ler. Quando vi que viraria filme com dois atores que gosto muito, a curiosidade multiplicou-se por 10. Mas não comecei por Everything, Everything, confesso. Apesar de ter ficado curiosa, foi a sinopse de The Sun Is Also a Star, em Português, O Sol Também É Uma Estrela que deu o pontapé inicial na minha curiosidade por essa autora maravilhosa.

Depois de um tempo de descanso da autora – gosto sempre de dar uma pausa entre um livro e outro do mesmo autor se não for uma continuação – finalmente li o Tudo e Todas as Coisas. Apesar de ter gostado muito, principalmente da leveza do livro e da sede de descobrimento da personagem principal, Maddy e do desenrolar de cada coisa nova que ela aprende sobre o amor e sobre o mundo, achei o livro previsível. Muito bem escrito, porém previsível. Já o O Sol Também É Uma Estrela, esse me surpreendeu. Como todo romance adolescente, tem aquele tom clichê que eu adoro, mas não é nem um pouco previsível. Engraçado, destemido e com temas importantes, como racismo, deportação e a sensibilidade masculina, é um clássico ‘os opostos se atraem’ com uma pegada extremamente inteligente.

Mas enfim, não quero fazer resenha não. Quero indicar para vocês esses dois livros que valem a pena ler dessa escritora maravilhosa e absurdamente inteligente. Lendo a biografia da Nicola, percebi como o segundo livro da autora parece refletir muito sua história de vida: nascida na Jamaica, criada no Brooklyn e casada com um um coreano, pode-se dizer que o segundo é livro é uma autobiografia em sua versão adolescente. Sorte dos fãs que ela resolveu virar escritora e não data scientist, como a personagem do livro.

O Sol Também É Uma Estrela

Sinopse: conta a história de Natasha Kingsley e Daniel Bae, ambos os extremos opostos um do outro. Ela, cética em relação ao amor ou a qualquer coisa que não possa ser provada pela ciência. Não acredita em romances, muito menos em poesia. Ele, um romântico sem cura que acredita que o amor é a solução para todos os problemas do mundo; poeta, claro. Ela, negra, jamaicana, ilegal nos Estados Unidos, prestes a ser deportada. Ele, de origem coreana, legal nos Estados Unidos, prestes a fazer a entrevista que vai decidir seu indesejado futuro como médico. Os caminhos se cruzam e a história toda se passa em apenas um dia e apesar de intensa e muito pouco provável, é contada de maneira tão bonita e pura que faz pensar que todo o amor deveria durar apenas um dia. O livro é narrado pelo ponto de vista dos dois e tem várias explicações sobre os demais personagens do livro, como o irmão de Daniel e a segurança do prédio da imigração, basicamente tentando decifrar porque eles são do jeito que são.

“Secretamente, do fundo de seus corações, quase todo mundo acredita que há algum significado, alguma obstinação para a vida. Equidade. Decência básica. Coisas boas acontecem com pessoas boas. Coisas ruins apenas acontecem com pessoas ruins. Ninguém quer acreditar que a vida é aleatória”.

Natasha Kingsley

Eu estou tendo problemas em olhar para ela e me concentrar ao mesmo tempo. Tem uma frase japonesa que eu gosto: koi no yokan. Não significa amor à primeira vista. É algo mais próximo a amor à segunda vista. É o sentimento de quando você conhece alguém e sabe que vai se apaixonar por ele. Talvez você não o ame de imediato, mas é inevitável que você vai.

Daniel Bae

“Ainda assim, superar ele não levou tempo algum. E é isso que me deixa desconfiada. Para onde todos aqueles sentimentos foram? As pessoas passam suas vidas procurando por amor. Poemas e músicas e livros inteiros são escritos à respeito. Mas como você pode confiar em algo que pode terminar repentinamente da maneira que começou?”

Natasha Kingsley

Eu amo a maneira como ela parece sentir as coisas com o corpo inteiro. Eu me pergunto como uma garota que é tão obviamente apaixonada é tão inflexivelmente contra paixão. 

Daniel Bae

Tudo e Todas As Coisas

Sinopse: conta a história de Maddie, uma adolescente alérgica ao mundo fora de sua casa. Com 18 anos, ela nunca esteve do lado de fora por conta de uma doença rara que ninguém consegue entender, além de sua mãe. Com aquele clássico, ‘a gente não sente falta do que nunca teve’, o cenário inteiro muda quando os novos vizinhos chegam e com eles Olly, o garoto misterioso e intrigante que vai fazer com que Maddie queira, pela primeira vez, descobrir o mundo fora de sua bolha. Inteligente, sensível e apaixonante, o livro não só trata da história de amor entre dois adolescentes, mas sim da história de amor entre uma garota e o mundo, o que deixa o livro ainda mais gostoso de ler. Com um final previsível, porém gostoso de ler, vale a pena a leitura, especialmente pela maneira como ela descreve o amor por tudo o que está descobrindo e por Olly.

“Eu quero dizer para ele que é sua culpa que eu estou aqui fora. Que o amor te abre para o mundo. Eu era feliz antes de conhece-lo. Mas agora eu estou viva e os dois não são a mesma coisa”. 

Maddy Whittier

Eu decido que o amor é uma coisa terrível, terrível. Amar alguém da maneira feroz como minha mãe me ama deve ser como se estivesse usando o coração fora do corpo, sem pelo, sem osso, sem nada para proteger. Amor é uma coisa terrível e sua perda é ainda pior. Amor é uma coisa terrível e eu não quero nada com ele. 

Maddy Whittier

“Na minha cabeça, eu sei que já me apaixonei antes mas não parece. Estar apaixonado por você é melhor do que a primeira vez. Parece que é a primeira vez e a última vez e a única vez ao mesmo tempo”.

Olly

Mas não é nunca só um momento. É uma serie deles. E sua vida pode se desenrolar em cada um em milhares de maneiras diferentes. Talvez tenha uma versão da sua vida para todas as escolhas que você fez e todas que não fez.

Maddy Whittier

“Você não está vivendo se não estiver se arrependendo”.

Rosa

Bom divertimento e boa leitura, espero que curtam!

Cotidiano, Pé na Estrada

MEU PRIMEIRO INTERCÂMBIO

agosto 2, 2017

Hoje faz quatro anos que voltei da primeira vez que fui embora. 

Meu primeiro intercâmbio foi o pontapé inicial para a mudança de perspectivas e objetivos que me levou a ser a mulher que sou hoje. É engraçado pensar que, pouco tempo antes da minha partida para New York, lá em Julho de 2013, eu parecia ter toda a minha vida resolvida aos 18 anos: terminei o Ensino Médio no ano anterior, no ano seguinte me matricularia na faculdade de Jornalismo, arrumaria um estágio que depois viraria um emprego, construiria uma carreira, alugaria um apê e sairia de casa, tiraria a carta de habilitação, viajaria pelo Brasil e de vez em quando para fora também, conheceria alguém e construiria uma família. Dois nossos, um adotado. Até os nomes eu tinha planejado, não vou mentir.

Pisar naquele avião e partir para a imensa cidade que eu só conhecia dos filmes e seriados trouxe de volta para casa uma nova pessoa. Não só meus planos mudaram, como eu mudei. Saí de casa uma menina madura e bem resolvida e voltei uma mulher carregada de incertezas e confusões. Seguir meticulosamente o plano que há pouco parecia ser o ideal já não fazia mais sentido. Aquela já não era minha vida, aqueles já não eram os meus sonhos e aqueles já não eram mais os nomes dos meus filhos; até isso mudou.

O intercâmbio sempre me pareceu uma ideia distante. Na infância e começo da minha adolescência, meu sonho era conhecer a Grécia. Minha mãe nunca entendeu muito bem de onde vinha toda essa fascinação e honestamente, nem eu entendo direito. Talvez das aulas de História, talvez das aulas de Arte, talvez da matéria que eu li uma vez falando que os homens mais bonitos do mundo eram gregos. Já adolescente, fui engolida pelo mundo de filmes e seriados e livros e todos eles, de um jeito ou de outro, começavam ou terminavam em New York. Suas luzes inapagáveis, seu charme que só a cidade tem, seus taxis amarelos, seus grandes edifícios e suas esquinas marcadas por cenas dos milhões de filmes que eu assistia durante tanto tempo eram a pedida perfeita para uma primeira viagem. O que era a Grécia e seus mares azuis e suas ilhas paradisíacas perto da vibrante New York? Nada.

Demorou anos para convencer minha velha de que a hora finalmente havia chegado. Eu precisava ir. Ela quis me mandar por uma semana, achei pouco. Quis me mandar para Los Angeles, eu não quis. Quis me mandar para o Canadá, eu odiei a ideia. Foram milhões de desculpas por anos: minha idade, meu inglês, dinheiro, tempo, agência. Infelizmente para ela e felizmente para mim, todas as desculpas não passavam disso. Arrastei ela para feiras de intercâmbio que eu sempre ia sozinha, a convenci de falar com agências e mais agências e nada. No final das contas, de surpresa, ela me acordou no Sábado de manhã antes de eu ir para o trabalho e disse para me aprontar porque sairíamos. Sem muito interesse, perguntei aonde e ela respondeu como se não fosse nada demais ‘vamos ir na agência fechar seu intercâmbio para Julho’. Meu coração deve ter parado e em 5 minutos, eu já estava na porta pronta para ir. Ir para agência e ir para o aeroporto se tivesse sido possível naquele mesmo dia.

Três meses depois e dois dias antes do meu aniversário de 19 anos, eu embarcava sozinha para a maior aventura da minha vida e a experiência que mudaria todo o rumo que os anos seguintes tomariam. Família chorando no aeroporto, abraços apertados, peguei minhas malas e sem olhar para trás, fui. Uma parada rápida na Colômbia e mais algumas horas de vôo, eu havia chegado. Minha primeira viagem sozinha, minha primeira viagem internacional para a minha cidade dos sonhos. A felicidade era tanta que não sobrou espaço para o medo. E se teve medo em algum momento, eu engoli.

Descobri.

Descobri tanto do mundo em um mês que tinha a impressão que havia vivido mil vidas em vinte e poucos dias. Descobri que nós temos mais que uma escolha na vida e que não existe certo ou errado quando a questão é felicidade. Descobri que a gente não precisa de muito para ser feliz e para fazer os outros felizes também. Descobri que liberdade é só questão de perspectiva; no fim das contas, ninguém é realmente livre e tudo bem não ser livre. Descobri que sua vida é o que você faz dela, não o que as pessoas querem que você faça. Descobri que para se apaixonar, você só precisa estar aberto a sentir. Descobri que o amor é fácil e que as complicações somos nós que criamos. Descobri que todo mundo que passa na nossa vida tem algo a nos ensinar; pessoas são lições. Descobri que era um completa ignorante até que abri os olhos para o mundo. Descobri que tem beleza em todos os povos, em todas as culturas. Descobri novas culinárias, novas palavras, novas línguas. Descobri lugares e ruas e vielas que os filmes não mostraram. Descobri muito de tudo, muito sobre o mundo, sobre mim, sobre as pessoas. Poderia passar horas aqui digitando, mas as minhas descobertas são minhas e cada um descobre algo diferente quando se permite descobrir.

É engraçado pensar como nós, quando adolescentes, temos a mania de achar que temos tudo resolvido e sabemos de tudo. Como falei no começo desse post, meus objetivos e sonhos não poderiam ser mais claros na época que antecedeu o intercâmbio. Assim que voltei para o Brasil, tratei de procurar um emprego e ver matriculas de faculdade, aplicar para vestibulares, ENEM mas algo dentro de mim havia mudado. A ideia de passar quatro anos estudando, trancafiada numa sala de aula me aterrorizava. Seriam quatros anos que eu poderia estar viajando, conhecendo, fazendo coisas que realmente importavam. As pessoas passariam a me ver como o meu curso e depois como o meu diploma, não como somente Nathália. Já não queria mais um apartamento e muito menos um carro; com o valor de aluguel, condomínio,  gasolina, seguro e reparos, eu viajaria para algum lugar perto de vez em quando, de ônibus mesmo. Carreira virou um conceito falido: qual mudança eu faria no mundo passando tanto tempo trabalhando em um único lugar? Casamento já não me soava como uma ideia tão agradável e filhos, nem pensar. Não tão cedo, pelo menos.

O meu primeiro intercâmbio me despertou a vontade de conhecer, de explorar, de descobrir o mundo que antes parecia tão fora do meu alcance. Um gostinho de mundo e eu estava obcecada com a ideia, fazendo planos, criando listas, pesquisando, montando roteiros, escrevendo à respeito, juntando dinheiro para a minha próxima grande aventura que é aonde me encontro há quase dois anos. No fim de 2015, parti para o meu segundo intercâmbio que acabou virando a minha vida aqui na Austrália. Até hoje não entendo o que me trouxe até aqui e não me levou a Grécia e seus homens lindos, meu sonho de infância que continua sendo meu sonho de adulta, mas continuo aqui, sanando minha sede de mundo e me apaixonando cada vez mais com a vida de nômade que escolhi desde a primeira vez que fui embora.

O mundo vai nos encher de dúvidas e de nãos, queridos. Vão colocar empecilhos, vão dizer que não podemos, que não devemos, que não é assim que deveria ser feito. Vão dizer que a faculdade é a coisa mais importante da nossa vida, que uma carreira aos 23 anos é absolutamente necessária, assim como o carro próprio e a casa própria. Vão nos dizer que teremos tempo, que somos novos, que nossas prioridades deveriam ser outras e que o mundo pode esperar. O mundo não pode esperar e você não deveria esperar se a hora é agora.

Se a hora é agora, vai. Não espera, não existe hora certa para realizar sonhos. A vida não espera. O mundo talvez, mas a vida não. A vida, preciosa do jeito que é, não tem pressa mas também é imprevisível. Vai agora, vai com tudo, vai com medo, vai com dúvida.

Mas vai, só vai.

 

Palavreando, Vida

UM AMOR DAS ANTIGAS…

julho 25, 2017

A primeira vez que eu escrevi uma redação de verdade, eu tirei 10 e minha professora elogiou. Não lembro como começava, mas sei que tinha a ver com sonhos. Eu tenho o pedaço de papel guardado até hoje em casa. Dentre todos os milhares de trabalhos da escola que joguei fora, esse foi o que mantive comigo. De férias no ano passado, eu achei o papel com a minha letrinha pequena na gaveta e li. O dez enorme no canto da página me fez sorrir que nem boba, mas não mais do que as palavras que a Nathália de 13 anos havia escrito sobre sonhos. Desde sempre, sonhadora.

Quando era pequena, minha mãe comprava coleções de clássicos da Disney para eu ler. Gato de Botas, Branca de Neve, A Bela Adormecida, 101 Dálmatas, A Dama e o Vagabundo. Sempre gostei de livros. Enquanto todos brincavam na rua o dia inteiro, eu brincava só metade do dia. A outra parte passava lendo e escrevendo nos livros, adicionando coisas as histórias. Quando fiquei mais velha, passei a ganhar revistas semanalmente e almanaques para pintar. Passei a jogar palavras cruzadas com a minha avó um tempo depois. Minha época favorita enquanto estava na escola era comprar materiais. Eu adorava comprar os cadernos, as canetas e adorava mais ainda vê-los todos rabiscados e preenchidos.

Na escola, uma das minhas matérias favoritas era Português. Eu amava aprender sobre as várias facetas, como o nosso idioma é tão bonito e tão complexo e ainda assim, faz total sentido. Quando passavam livros, eu ficava meio puta porque odiava ler por obrigação, mas ainda assim o fazia e me surpreendia na maioria das vezes que dava aos livros uma chance. Minha avó tinha uma máquina de escrever que ela me deixava usar todos os dias. Era uma felicidade sem tamanho ouvir o barulho das teclas enquanto eu escrevia sobre qualquer coisa. Às vezes eu nem tinha sobre o que escrever, mas ela estava me deixando usar a máquina, então eu criava algo e digitava sem parar até acabar a força da mão. Ou até ela mandar eu parar, claro.

Escrever sempre fez parte da minha vida e sempre foi a minha coisa favorita de fazer. Quando eu ganhei meu primeiro computador, escrevia no Word sem parar o dia inteiro. Quando eu tive internet pela primeira vez, descobri o gigantesco mundo dos blogs. Fiquei fascinada e logo quis fazer parte. Tive mais blogs do que me lembro e falava de mais coisas do que provavelmente deveria, mas naquela época minhas palavras não tinham maldade e não serviam para tal fim também. Na era do Tumblr, escrevia sobre tudo, mas principalmente sobre minhas bandas e artistas favoritos. Foi nessa época que também comecei a praticar meu Inglês, então escrevia nas duas línguas porque uma já não era o suficiente. Por três noites seguidas fiquei sem internet. Em uma das noites, escrevi uma história inteira. O computador deu pau e perdi, quase chorei de tristeza. Em uma dessas longas noites, escrevi uma fanfic e publiquei na internet. Os comentários eram sempre de incentivo, pedindo mais. Foi a primeira vez que senti que era boa de verdade. Em outras dessas noites, comecei a escrever meu primeiro livro que venho, entre trancos e barrancos, tentando finalizar a 4 anos. Me orgulho do que já tenho, mas não sigo a diante.

Comigo, sempre carrego papel e caneta. Em possessão de MacBook, iPad e qualquer outra forma de tecnologia, meu gosto mesmo é de escrever como se tecnologia fosse algo inexistente. As ideias fluem mais, saem melhores e se eu erro a palavra, só rabisco e nunca perco para sempre a ideia, o pensamento. Se estou na aula, às vezes paro de prestar atenção e escrevo. Quando o restaurante está parado, vou para o cantinho e rabisco algumas ideias. Na hora do almoço, às vezes fico sozinha e jogo mais umas ideias no papel. De segunda-feira, no meu dia de folga, vou para o café e passo o dia escrevendo. Não tem nada na vida que me dê mais prazer do que ver a folha de papel antes vazia, carregada de palavras miúdas de grandes e pequenos significados. Já faz parte de mim escrever, já virou parte da minha extravagante e exagerada personalidade.

Uma das minhas maiores dificuldades na vida é me colocar em posição de vulnerabilidade, de deixar exposta todas as minhas fraquezas, angústias, dúvidas, sentimentos feios, obscuros. A escrita se tornou o meu ponto de paz, o momento do dia que eu finalmente consigo respirar fundo e colocar para fora tudo o que me amedronta, me atormenta, me tira o sono. Minha terapia é escrever, a cura imediata dos meus problemas é fazer com que minha mão doa até eu não conseguir aguentar, ir além do meu limite. Quando a página está preenchida, eu largo a caneta e respiro fundo. Missão cumprida, está tudo ali.

Os amigos, os familiares e os que leem, elogiam. Alguns tem medo de me mandar textos porque dizem que nãos se compara com o que escrevo. Eu acho engraçado, porque eu não acho que sou tão boa. Boa, talvez, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer. Tenho que aprender muito sobre vírgulas, muito mesmo. O que eles não sabem é que eu amo receber tudo o que eles escrevem, me dá uma alegria tremenda ver gente escrevendo. Uma vez uma menina entrou no meu blog antigo e citou A Culpa É das Estrelas, falando que leria até minha lista de compras. Eu quase chorei, fiquei sorrindo que nem boba o dia inteiro.

As pessoas me perguntam o que eu quero fazer da vida e eu digo escrever. E elas indagam ‘escrever o que?’ e eu respondo ‘eu só quero escrever, sobre qualquer coisa’. E, apesar de ter milhões de possibilidades a minha frente, nenhuma me apetece mais do que escrever. Num café, em casa, na cama, no sofá, na mesa de um escritório, num restaurante acompanhada de uma taça de vinho, eu não me imagino de outra maneira do que acompanhada de um bom drink e papel e caneta.

Aos meus queridos e amados escritores que me fazem sempre querer melhorar e me fizeram ser o que eu sou hoje com suas mágicas palavras, a minha mais profunda e sincera gratidão. Feliz seu dia, feliz nosso dia ♡

Amor, Cartas, Palavreando

CARTA ABERTA AO MEU PRIMEIRO AMOR

julho 23, 2017

“Oi amor, 

Será que eu ainda deveria te chamar assim depois de todos esses anos? Na minha cabeça, seu nome nem existe quando eu falo de você. Só os apelidos que nós prometemos nunca usarmos e acabamos quebrando a promessa na primeira oportunidade: babe, bae, babycakes. Esse último foi você quem inventou. A coisa mais brega, eu penso agora e pensava la atrás também, mas preciso confessar que eu sorria feito boba quando você me chamava assim. Ou quando você me chamava de qualquer coisa, na realidade.

Você acredita em amor à primeira vista, amor? Eu tenho certeza que não, eu também não acredito. Mas eu acho que eu me apaixonei por você na segunda vez que você sorriu para mim. Porque na primeira seria clichê demais e você sabe como eu sempre odiei ser clichê. Já vou te avisar que essa carta vai ser longa porque eu quero contar nossa breve história juntos, detalhe por detalhe, nosso amor de verão e apesar de terem sido apenas alguns dias, a gente mais história do que muita gente, não é? Como amor é uma palavra forte demais, eu vou usar nossa paixão de verão.

A vida com você pareceu uma comédia romântica hollywoodiana desde o começo. Na maioria dos nossos dias, eu sentia como se nada fosse real e nós estivéssemos gravando um filme na grande New York City. O filme começou quando a gente se conheceu e você pediu meu telefone. Na Broadway, uma quinta-feira, cinco dias desde a minha chegada. Eu estava lá, comprando um hotdog para mim e o morador de rua e nem tinha reparado em você ali do lado e quando olhei na sua direção e da sua banca de bonés, dei uma breve espiada no seu trabalho e voltei a atenção ao vendedor. O ketchup me sujou inteira. Você provavelmente riu, era debochado. Eu não me importei o suficiente para olhar. Me limpei e quando estava voltando para o metrô, de Manhattan ao Queens, senti uma mão no meu braço.

Era você. Cabelo impecável, sorriso no rosto, todo arrumadinho. Me fez um milhão de perguntas, desde de onde eu era para o que estava fazendo lá, até que chegou no “você tem namorado?” e eu soltei um sonoro “não” e você soltou o mais cara de pau “então me liga”. Eu não tinha número, mas iria fazer no outro dia, como eu te falei. Te digo agora que você foi um dos motivos. Te mandei mensagem no dia seguinte, uma sexta-feira. Você não soube quem era, logo esclareci e conversamos. Você era engraçado e fácil de conversar. No dia seguinte, você me ligou de manhã. Eu não atendi, tinha vergonha de falar no telefone em inglês. Quando eu mandei mensagem perguntando o que queria, você disse que tinha acordado e queria dar bom dia. Eu só conseguia pensar “quem é esse cara?”. Mais tarde, eu descobri e me apaixonei por ele, por você.

Domingo à noite, nosso primeiro encontro. Cheguei tarde e atrasada, claro. E cheguei acompanhada também, mas isso você já sabia. Eu levei uma terceira pessoa no nosso primeiro encontro e quando eu te mandei mensagem, pensei que tinha arruinado minhas chances. Esse foi meu primeiro erro, pensar que você era igual aos outros. Você não só aceitou, como pagou a minha conta e a dela. É, você é esse tipo de cara. Mas calma, estou acelerando um pouco. Vamos voltar para quando eu cheguei para encontrar você com os seus amigos. Calça azul marinho, camiseta e tênis. Nós fomos andando e você parou na frente de um estacionamento e pediu para esperamos do lado de fora. Quando voltou, a camiseta tinha sido substituída por uma camisa social branca. “Não gosto muito de camisetas”, você disse. O que eu descobri mais tarde que era mentira, você só queria estar mais bonito para o nosso primeiro encontro. Você usou camisa em todos os outros também. Comemos o melhor hambúrguer que eu comi até hoje e fomos para o pier de Manhattan e ficamos lá conversando enquanto a garota tirava foto. Ela tirou uma foto nossa, a nossa primeira foto. O skyline de New Jersey era tão bonito quanto o de Manhattan. Ou será que foi você que deixou a coisa toda mais bonita?

Na volta para casa, no metrô, eu coloquei a cabeça entre mãos para descansar. Você me puxou, encostou minha cabeça no seu ombro e ficou fazendo carinho nas minhas costas o caminho todo. Você me tocava com tanta delicadeza que pela primeira vez, eu me senti delicada. Já em casa,  a garota foi tomar banho e nós ficamos na sala sozinhos. Meu coração logo disparou porque, apesar de não ter tido muitos encontros, eu tinha visto romances o suficiente para saber o que acontecia em seguida. Meu segundo erro foi pensar que nossa história seria como as outras. Você sentou do meu lado, me puxou para mais perto e colocou os lábios no meu pescoço, bem debaixo da minha orelha. Você ficou ali por um tempo, respirando fundo e elogiou meu perfume. O vidro do perfume novo quase acabou antes de eu voltar para casa. Na hora de ir embora, fui te levar até a calçada e você tentou pegar a minha mão, eu recuei. Parte por medo, a outra também. “Só quero pegar sua mão até ali, calma”, você disse. Você lembra dessa hora, não lembra? Porque você me zoou depois. Nós paramos embaixo da árvore, você passou a mão envolta da minha cintura e ficou me olhando.  Quando nada aconteceu, você deu risada e me deu um beijo no rosto e foi embora. Amor, eu te olhei ir embora aquele dia e eu tentei muito não sorrir. Mas foi inevitável, o sorriso quase rasgou meu rosto de uma ponta a outra. E esse mesmo sorriso ficou preso no meu rosto durante todos os nossos 23 dias.

Nossas noites eram as mesmas quase sempre. Você trabalhava, eu assistia. Você sempre foi tão gentil com as pessoas, vinha naturalmente. Eu me perguntava se você conhecia todas aquelas pessoas mas já sabia que se não conhecia, passariam a ser conhecidas. Amor, essa viagem era para ser minha mas se tornou nossa num período preocupantemente curto e apesar de estar assustada na maior parte do tempo com a velocidade que as coisas estavam indo, nossa nunca pareceu tão certo.

Amor, eu lembro do exato momento que tudo mudou dentro de mim. Sua banca de bonés ficava na frente do metrô e eu fui te encontrar aquele dia. Antes de passar pela porta e me aproximar, eu parei para te observar de longe. Você estava do mesmo jeito de sempre: camiseta, calça e tênis. Você deu um sorriso discreto quando eu finalmente me aproximei e acenou com a cabeça. A gente não se cumprimentava com selinho, normalmente era um high-five. Nesse dia, você me deu um beijo no rosto. Quando você virou de costas para atender o cliente, eu sorri. Eu tirei uma foto sua esse dia, aquela foto. O que aconteceu em seguida foi contra tudo o que você me falou desde o começo: você não gosta de demonstrações públicas de afeto. E o seu primeiro erro foi mentir para mim e para si mesmo. Enquanto eu olhava para o outro lado da rua, apoiada no hidrante, você entrou no meio das minhas pernas e se apoiou contra o meu corpo, de costas para mim, depois de outro beijo no rosto. Eu apoiei o queixo no seu ombro, te dei um beijo leve no pescoço e enlacei os braços na sua cintura, inspirando seu perfume, guardando teu cheiro na memória.

Você se soltou e sorriu. Puta que pariu, aquele sorriso.

Amor, a única coisa ruim da nossa história foi o tempo. Nós não tínhamos o luxo do tempo e Deus sabe como eu queria ter tido mais tempo contigo. Nossos dias juntos foram limitados mas eu não mudaria nada na nossa história. Nem mesmo nossa falta de tempo, que sempre pareceu um problema.

Quarta-feira, Bronx Zoo. O zoológico era de graça na quarta-feira, então você foi me pegar na escola e nós fomos, mas não sem antes passar no Starbucks para comprarmos café. Como eu tinha acordado mais cedo que o normal aquele dia, assim que entrei no ônibus, cochilei com o café na mão. Amor, meu coração quase saiu pela boca aquele dia. Você tirou o café da minha mãe e enlaçou os dedos nos meus. Assim, simples. Você, o cara que não gosta de demonstrações publicas de afeto. Eu não me mexi com medo de você se afastar. Os seus dedos naquele momento pareciam terem sido feitos para serem enlaçados nos meus. Nós fomos o caminho inteiro assim. Eu já não dormia mais, mas não falava nada porque não queria que aquele momento acabasse. No zoológico, quando eu estalei o pescoço, você tirou a mochila das minhas costas e carregou o resto do passeio. Eu vinha reclamando de dores nas costas e sempre que você tinha oportunidade, me fazia uma massagem, independente do lugar. Talvez tenha sido seu lado enfermeiro, mas eu sabia que você se importava.

Você quase me matou de rir no dia que me levou ao Bryant Park no meio da noite. Você disse que queria me mostrar algo e sem pensar duas vezes, eu peguei na sua mão e fui. Eu nunca pensava duas vezes com você. Nós deitamos no meio da grama, só os ombros se tocando e olhamos para cima, em silêncio. Não tinha estrelas, era Manhattan, mas tinha tanta imensidão que parecia que nós estávamos em outro planeta. Ninguém nunca tinha feito nada daquilo para mim. Você me fez sentir infinita. Você foi o primeiro a pular quando o sprinkler disparou e saiu correndo da água. Eu acabei me molhando um pouco mais porque não conseguia parar de rir da sua reação exagerada. Você disse que era por causa das roupas, mas eu sabia que o motivo real era o cabelo. Vaidoso você, muito mais do que eu jamais fui.

Brooklyn, algum dia qualquer, nosso primeiro encontro depois do primeiro encontro. Apesar de a gente se ver todos os dias e passar a maior parte das noites juntos, nós nunca tínhamos tido um encontro de verdade, só nós dois. Você decidiu que era hora. Você se arrumou, eu me arrumei e nós fomos. Primeiro, uma loja de quadrinhos em Manhattan onde nossos nerds interiores apareceram e depois pegamos o metrô para Chinatown. Você sabia que eu não gostava de muita comida diferente, então pediu um frango com erva doce para mim e qualquer coisa estranha para você. Quando eu voltei do banheiro, você perguntou se estava tudo bem e eu disse que estava menstruada. Mais uma vez, amor, você me surpreendeu. Ao invés de reagir como qualquer homem quando ouve a palavra menstruação, você perguntou se eu tinha absorvente e melhor ainda, ficou puto quando eu falei que não. Eu sei que já devia ter parado de me surpreender com você, mas era inevitável. Tu sempre foi uma caixinha de surpresas. Você depois perguntou se eu queria parar em algum lugar para comprar, eu disse que não e você respondeu que entendia porque tinha irmãs. Como se não fosse possível, eu gostei ainda mais de você.

Nós fomos andando de Chinatown a Brooklyn Bridge. Você foi me mostrando tudo ao redor, me explicando cada canto. O perfeito guia turístico. Tinha chovido, mas a noite estava perfeita para uma caminhada. Quando chegamos na ponte, eu fiquei sem fôlego. Foi o segundo ou terceiro momento que eu finalmente entendi que eu estava em New York. As luzes da cidade, as faixas do World Trade Center Memorial, a Lady Liberty no fundo. Turista que sou, comecei a tirar fotos enquanto você ria da minha cara. Você ficou do meu lado o tempo todo. Quando eu me virei, suas mãos vieram parar na minha cintura e você me prendeu contra a ponte, anunciando que ia me beijar. Eu fiquei te encarando, parada, enquanto sua mão passava meu pescoço, seus lábios depositaram um beijo debaixo da minha orelha e depois vieram parar na minha boca. Meu bem, eu queria ter congelado aquele momento. Eu queria que alguém tivesse fotografado nós, nosso primeiro beijo. Quando chegou a hora de ir embora, tivemos que pular uma divisória da rua. Você me ofereceu a mão, eu não aceitei e no minuto que eu aterrissei do outro lado, sua mão pegou na minha e não soltou mais. No metrô, três meninas olhavam para a minha cabeça repousando no seu ombro. Elas sorriram, como eu sempre sorria para estranhos quando via demonstrações de afeto. Eu sorri também, era eu do outro lado daquela vez.

Meu bem, eu me apaixonei por você não só pelo que você foi para mim, mas pelo que você era para o mundo, para você, como um todo. Uma moça se aproximou da banca uma vez para pedir dinheiro. Eu prestei atenção para ouvir sua resposta. A maneira como as pessoas reagem e tratam as outras em determinadas situações diz muito sobre elas e a sua reação disse muito sobre o tipo de cara que você é, o tipo de cara que eu sempre soube que você era. Você explicou que tinha uma regra: não dar dinheiro até começar a fazer o seu. Você tinha acabado de abrir a banca mas disse que se ela voltasse mais tarde, talvez já tivesse algo para dar. Ela sorriu para você e depois olhou para mim e disse “você tem um cara e tanto, menina. Não deixa ele ir embora”. Você me olhou, esperando minha resposta. Eu desviei o olhar e respondi que achava era uma garota de sorte. A realidade, meu bem, é que eu não achava nada. Eu tinha certeza, mas você sabe como eu era ruim com elogios, tanto dar quanto receber. Talvez fique surpreso em saber que eu continuo sendo, mas aqui dentro, minha vontade era colocar um outdoor na Times Square com a tua cara e listar todas as coisas que eu amava em você. Que até hoje eu continuo amando.

Nossas noites eram resumidas a discussões e risadas com os seus amigos. Brincávamos com os turistas, principalmente os brasileiros e vocês me pediam para ensinar palavras para gritarem para as garotas brasileiras. Depois, o tópico mudava para qual comida era melhor. O churrasco brasileiro ganhou, mas eu estava em desvantagem contra você e todo o resto, então sempre perdia. O tempo passou e você talvez nem tenha percebido, mas o seu “não gosto de carinhos em público” já não fazia mais sentido. Enquanto eu ficava conversando com os caras, você fazia a mesma coisa que antes e se enfiava no meio das minhas pernas e se apoiava contra mim, corpo colado no meu. Os caras zoavam a gente, mas quem ligava? Eu até cantei no seu ouvido uma vez, tu lembra? Você disse que eu cantava bem mas que meu iPod só tinha música ruim. Você prometeu me mostrar músicas boas, mas não deu tempo. Ah, o tempo.

Meu bem, você foi o primeiro cara na minha vida em muitos aspectos, começando pelo titulo dessa carta. Mas uma das coisas que você fez eu nunca vou esquecer e talvez você nem lembre, mas eu lembro de cada detalhe e vou guardar para sempre comigo. Naquele momento, se tivesse ao meu alcance, eu teria desistido de tudo para ficar com você. Naquela noite, você estava trabalhando do outro lado da rua aonde normalmente ficava. Era um canto mais discreto, reservado. Depois do meu dia de turista, como todas as noites, fui te encontrar. Quando cheguei, você estava ouvindo música e conversando com dois amigos. Quando você me viu, abriu aquele sorriso que fazia meu peito rasgar. Me apresentou para os caras e um deles era um francês com o sotaque mais sexy que eu já ouvira. Enquanto ele falava, eu não disfarçava o prazer em ouvi-lo. Minha cara deve ter entregado porque logo que eles foram embora, você perguntou se eu gostava e eu disse que era muito sexy, você concordou e a noite seguiu. Me acomodei na cadeira e seu iPad começou a tocar The A Team, do Ed Sheeran, meu cantor favorito e motivo de uma das suas fingidas e descaradas crises de ciúmes. Eu fiquei te encarando porque você disse que achava as músicas “gays demais” e quando você finalmente se tocou da música que estava tocando, levantou correndo para trocar. Quando eu, em meio as minhas risadas, perguntei se você estava finalmente ouvindo Ed, você respondeu correndo que a Apple tinha dado a música e essa era a da semana. Eu ri mais um pouco e falei que você tinha que aceitar que eu tinha te convertido. Você me chamou de idiota e me empurrou pelo ombro.

Começou a tocar Wonderwall do Oasis e lá estava você, com o queixo apoiado no meu joelho enquanto a gente conversava e ouvia música. Você pegou meu rosto nas mãos e começou a cantar o refrão da música, sem tirar os olhos dos meus. Eu tenho quase certeza que meu coração parou por alguns momentos durante aquela serenata inesperada no meio da Broadway. Você logo me soltou e eu fiquei te olhando incrédula, perguntando “O que foi isso? Quem é você?”. Você deu de ombros, tímido e só disse que gostava da música. Eu concordei e nunca mais esqueci daquela cena. Naquela mesma noite, nós brigamos. Ou melhor, eu briguei. Você veio atrás de mim na rua e ainda assim me levou até o metrô. Foi a primeira vez que você me chamou pelo nome. Assim que o metrô partiu, eu te mandei uma mensagem pedindo desculpa. Você entendeu e tudo logo estava de volta ao normal. Mais uma vez, a gente não tinha o luxo do tempo.

Aquela sexta-feira você disse que não estava bem, que havia acordado de mal humor. Nós fomos ao Central Park passar o dia e você estava com cara fechada o tempo todo, mas não quis dizer o que estava acontecendo. Meu bem, você lembra daquela família que nós vimos brincando com as crianças?  Tudo bem, tinham muitas, mas aquela chamou nossa atenção porque a criança não parava de correr. Foi a primeira vez que nós falamos sobre o futuro. Não o nosso porque nós sabíamos que não existia ‘nós’ além daqueles dias, mas sobre o futuro de nós dois. Conversamos sobre planos, os lugares que queríamos ir e como gostaríamos de criar nossos filhos. Eu te disse que você seria um bom pai e naquele momento, pela primeira vez, eu imaginei como seria ter você como pai dos meus filhos. Devo ter suspirado na época e suspiro até hoje com a ideia. Nós deitamos abraçados na grama e você jogou sua camisa encima de nós dois. Quando eu fechei os olhos, suas mãos vieram parar dentro do meu sutiã. Foi a primeira vez que eu fui tocada. Você foi o primeiro de quase todas as minhas primeiras vezes.

Nós vimos nosso primeiro por do sol juntos no Brooklyn. Fomos para a feira de antiquarias, rimos de tudo e depois comemos pizza. O Brooklyn era meu lugar preferido em New York e quando nós passamos por uma daquelas ruas que são cobertas por árvores, eu pedi uma foto. Você, que ama tirar fotos, começou a bater varias. Quando você bateu a última, abaixou o celular e sorriu. Você me encarou por tanto tempo que eu não consegui mais ficar em frente a câmera, não com você me olhando daquele jeito. Naquele dia, nós comemos pizza de almôndega e você me fez tomar um refrigerante de cereja. Na volta para casa, lá estava o sol se despedindo. Sua mão na minha, minha cabeça apoiada no seu ombro, a skyline de Manhattan. Foi de tirar o fôlego viver aquele momento contigo.

Poucas vezes naquele um mês eu comi comida de verdade. Na maioria das vezes, eram só lanches. Eu estava com fome uma noite e você me levou num restaurante ‘chique’. Na Fifth Avenue, uma kombi. Nosso restaurante chique, com marmitex de frango, salada e arroz. Eu disse que você tinha um conceito diferente de chique e você deu risada. Meu bem, eu devo ter pensado naquele momento que você era o homem da minha vida. Nós pegamos a marmita, sentamos num escadão e comemos. Eu parecia uma troglodita porque aquela era a melhor refeição que havia feito em muito tempo. Você deu risada quando eu pedi demais e disse que faria “tudo o que sua garota quiser”. Eu amava quando você me chamava de sua garota porque pela primeira vez, eu pertencia a alguém.

Na minha última Quinta-feira, você me enganou e me levou para conhecer sua irmã. Talvez seja normal para você apresentar a família, mas na minha cultura, esse é um grande passo. Isso deve explicar o motivo do meu coração ter quase parado quando nós entramos no banco e você disse que precisava fazer algo e pediu para falar com uma moça. Eu insisti para ficar do lado de fora, na chuva, mas você insistiu para eu ir junto. Quando nós fomos autorizados, lá estava ela. Eu queria dar na sua cara mas você sabia que se tivesse me falado, eu não teria ido. Nós passamos uns minutos conversando e quando ela perguntou como havíamos nos conhecido, eu deixei você contar a história. Ela riu, claro. Era doce e sorridente, igual você. Naquele mesmo dia, nós pegamos a balsa para ver a Estátua da Liberdade. Como eu odiava barcos, fiquei meio inquieta e quis ficar sentada o tempo todo, mas você insistia para que eu visse de perto, dizendo “amor, amor, vem aqui. Você precisa ver de perto” e quando eu fui, você enlaçou os braços nos meus e não me soltou mais, nem para tirar fotos. Naquela tarde, eu fui para a aula e você chegou com um boné que havia feito. Debaixo da aba, a mensagem “NYC. De … com amor”.

Aquela noite foi também a noite da nossa segunda briga. Os meus planos tinham mudado, estava chovendo e você não trabalhou. Nós ficamos sentados dentro de um restaurante decidindo o que fazer. Você deu um milhão de ideias mas eu não quis nenhuma. Parte por preguiça, a outra porque eu não queria sair dali. Estávamos só nós dois no canto do restaurante, conversando. Eu não precisava fazer nada, tudo o que eu precisava estava bem ali. No fim das contas, eu precisava fazer umas compras de último minuto e você foi comigo, de cara fechada o tempo todo. Eu sempre odiei cara fechada do meu lado, então quando eu vi a sua o caminho todo, aquilo me incomodou mais do que deveria. No meio da loja, eu pedi para você virar de costas, peguei minhas coisas dentro da sua bolsa e pedi para que você fosse embora. Você ficou me olhando, incrédulo, disse que não ia e tentou pegar as minhas coisas de volta. Eu disse que não queria você por perto com cara feia. Você insistiu mais uma vez para ficar, disse que estava se sentido mal e eu disse que não importava. Você não brigou mais, virou as costas e foi embora. Naquela noite, nós não nos falamos mais.

Meu último dia foi essa última passagem da carta, uma Sexta-feira. Depois de ir para o 911 Memorial, você mandou uma mensagem perguntando se eu tinha planos. Pelo ‘tom’ da mensagem, estava claro que você ainda estava puto e eu disse que se você não quisesse me encontrar, não precisava. Você não argumentou, disse que estava de bom humor e que tinha uma surpresa para mim. Eu fui te encontrar depois que saí para irmos ao museu. Me perdi no caminho e o museu fechou, mas você continuava lá, me esperando. Você perguntou se eu não queria saber o motivo da cara fechada na noite passada. Quando eu respondi que sim, você explicou que era minha penúltima noite e eu não queria fazer nada, só ficar sentada lá. Eu disse que estava bem porque nós estávamos juntos mas mesmo assim, não foi o suficiente. Amor, eu te afastei de novo naquela tarde. Você tinha tirado o dia para ficarmos juntos e eu disse que você deveria ir trabalhar. Você me avisou que eu estava te afastando de novo e eu pedi para que você fosse embora. Dessa vez, você não insistiu. Eu não aprovei nada do museu e como se já não fosse idiota o suficiente, te mandei mensagem falando que você tinha estragado nosso dia porque eu precisava culpar alguém além de mim mesma pela minha infantilidade. Você respondeu que eu também tinha estragado e mencionou a surpresa de novo. Naquela noite, eu tive que passar na frente do seu trabalho para ir ao museu. Eu estava cheia de sacolas e ia passar direto, mas você me parou e pediu para guardar as sacolas. Eu disse que não precisava mas você insistiu. Eu cedi e perguntei se nós estávamos bem depois de pedir desculpas e você deu aquele sorriso de “tá tudo certo”. Foi a noite das despedidas, foi a noite mais triste da viagem.

Meu bem, aquela noite nós corremos para chegar no Empire State mas não deu tempo. Nós andamos de madrugada pela cidade, fizemos compras as duas da manhã, tiramos fotos às 3h da manhã na Times Square, comemos em um dos primeiros restaurante que fomos juntos e você tentou remarcar meu voo. Eu disse que voltaria em Maio e naquela noite de tantas emoções, nós fizemos promessas demais. Você disse que ficaríamos juntos. Eu disse que você encontraria alguém antes. Você replicou que não me esperaria, mas que estaria lá quando eu voltasse. Eu não voltei, a vida me levou para um rumo diferente e levou alguém diferente para o seu caminho, exatos 5 dias depois que eu embarquei de volta para casa.

Amor, a nossa despedida no aeroporto foi a coisa mais linda e triste do mundo. Você me ajudou a arrumar o resto das malas na correria porque eu estava atrasada – para variar – e pegamos o táxi do Queens ao JFK. Fomos abraçados o caminho todo e eu não conseguia olhar para você, só para a cidade que eu estava deixando para trás. Já era hora de me despedir da cidade, de você ainda não, nós ainda tínhamos alguns minutos. Na hora do check-in, eu te peguei de cabeça baixa olhando para as minhas malas. Meu bem, você nunca baixava a cabeça. Eu levantei sua cabeça pelo queixo e te beijei, sorrindo. De todas as garotas que você havia conhecido, você confessou que nunca tinha levado nenhuma no aeroporto. Eu também fui sua primeira em alguma coisa.

Os auto-falantes anunciaram o meu voo e meu estômago embrulhou. Nós nos olhamos e demos de ombro. Você me abraçou, o rosto enterrado no meu pescoço. Eu colei meu corpo no seu, não queria ir embora, não queria te deixar ir. Nós nos soltamos e apesar de não gostarmos de demonstrações publicas de afeto, nos beijamos ali mesmo, no meio do aeroporto. Quando nos separamos, ficamos nos entreolhando. Você deu o sorriso, aquele sorriso lá do começo, me beijou de novo e me deixou ir. Eu olhei para trás uma última vez, memorizando seu rosto naquele exato momento que eu te deixei para trás, o cara dos meus sonhos.

Você a conheceu logo que eu fui embora, sua ex namorada que quando eu comecei a escrever essa carta era atual. Quando vocês terminaram, eu estava sozinha em Bali. Três anos depois da nossa breve história. Em uma das noites, eu saí para ir a um bar e o cantor me lembrou tanto você que eu fiquei até assustada. Naquela noite, eu te mandei mensagem. Você me respondeu na hora e não satisfeito, me ligou. Depois de três anos, eu ouvia a sua voz de novo. Meu coração quase parou no meio da Indonesia e para a minha feliz surpresa, você continuava o mesmo brincalhão e convencido de sempre. Daquele dia em diante, nós conversamos quase todos os dias por meses. Sobre nossas vidas, sobre o nosso futuro, sobre nosso verão juntos. Você lembrava de coisas que eu pensei que tivesse esquecido, como quando foi a primeira vez que eu usei maquiagem para a gente sair. Por todos aqueles meses, eu pensava em como seria se a gente se reencontrasse, se nós tivéssemos mais uma chance. Às vezes au ainda leio nossas mensagens e penso em tudo o que a gente viveu antes e depois que eu voltei. Parece que quando se trata de você, a vida é uma eterna e gostosa nostalgia.

Meu bem, você foi o meu primeiro amor, minha primeira paixão de verão. Às vezes eu me pego pensando na gente, no que nós poderíamos ter sido se eu tivesse ficado. Será que teria sido tão bonito? Ou será que o fato de nós não termos tido muito tempo fez com que tudo fosse vivido na mais bonita intensidade? Eu não sei, mas eu acho que parte de mim nunca vai seguir em frente. Todo mundo tem aquela pessoa na vida que ensina muito do mundo para gente. Você me ensinou muito sobre o amor, sobre respeito, sobre expectativas. Você me ensinou muito sobre mim e eu tenho certeza que te ensinei muito sobre você também. Das coisas mais bonitas que você me ensinou ou melhor, (re)ensinou, foi o valor das pequenas coisas e como essas são, dentre todas as coisas do mundo, as mais importantes, as mais bonitas.

Meu amor, eu comecei a escrever todas essas linhas há dois anos. Foi no exato momento que eu percebi que havia me apaixonado por você. Originalmente, eu narrava nossa história para o mundo. Agora, eu quero narrar para você para que você nunca esqueça de que, apesar de tanto tempo, sempre existiu no mundo alguém que apreciou todas as pequenas coisas que você fez, que o fazem ser quem você é. Das mensagens aos carinhos aos cafés que nós dividimos, eu sempre procurei um pouco de você nos outros, vai ver é por isso que nunca deu certo com mais ninguém. E talvez no inverno, no outono e na primavera não tivesse dado certo entre a gente, mas o verão foi a nossa estação e sou eternamente grata por aqueles dias limitados com gosto de infinito que nós partilhamos.

Certa vez eu li uma metáfora que falava de amor. Hoje essa é a minha metáfora favorita no mundo. A frase era a seguinte “apaixone-se por uma pessoa que te faz sentir quando as primeiras luzes do show se apagam”. Amor, a vida com você era concerto diariamente. Você era minha música. E vai ser para sempre parte da minha trilha sonora.

Com todo o amor do mundo,

Eu”.

Austrália, Pé na Estrada

TRIP JOURNAL #2: FRASER ISLAND, A MAIOR ILHA DE AREIA DO MUNDO

julho 5, 2017

Como prometido e com um pouco de atraso, a segunda parte da trip de Fraser Island está entre nós. Nesse post vou cobrir nosso segundo dia na ilha e todos os lugares que visitamos, lugares tão bonitos e mágicos quanto os primeiro. Para começarmos nosso último dia com o pé direito, acordamos às 5h da manhã para assistirmos o nascer do sol. Foi a primeira vez em muito tempo que eu via um nascer tão bonito e como a amante de nasceres e pores do sol que sou, fiquei completamente extasiada pela beleza daquele momento. Se você assim como eu não gosta de acordar cedo, te digo uma coisa: por esse momento vai valer a pena.

Cenário de tirar o fôlego!

Depois do café da manhã, logo partimos para o ônibus para nosso segundo dia de aventuras. Começamos o passeio no Maheno Shipwreck, que costumava ser um navio de luxo e estancou na areia em 1953. A parada no Maheno é de apenas 10min, então vale a pena conferir cada detalhe do navio de pertinho, as formas que o ferrugem criou, as diferentes tonalidades e se você prestar bem atenção, consegue observar filhotes de caranguejos correndo pelo ‘interior’ do navio. Muito cuidado com as jellyfishes que ficam ao redor da praia. Apesar de pequenas, se pisar em alguma pode acabar queimando os pés. De preferencia, ande sempre de chinelo.

A Seventy-Five Mile Beach, a estrada de areia de Fraser

Nossa próxima parada foi a The Pinnacles Coloured Sands, as dunas montanhosas esculpidas apenas por areia. A The Pinnacles é uma atração bem simples da ilha, mas de grande valor cultural para o povo que viveu na ilha no passado, os Butchulla. Por conta da sensibilidade, é proibido fazer buracos ou cavar nas rochas, uma vez que correm risco de desabamento. É também proibido escalar ou recolher areia das montanhas, correndo o risco de multas se você for pego. Essas proibições inclusive vem do povo Butchulla e seus ditos “o que for bom para a terra vem primeiro”, “se você tem muito, deve dividir”, “não pegue ou encoste em nada que não te pertence”.

Seguimos adiante para o Indian Head e depois de uma caminhada de uns 8min subindo, fomos recepcionados por esse oceano de tons azul e verde. O velho ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” se aplica perfeitamente nesse caso. Entre Julho e Novembro, é possível ver a migração das baleias humpback dessa vista e com sorte, tubarões, tartarugas e arraias. De todos os lookouts que fui na Austrália, esse provavelmente é um dos mais bonitos e coloridos. Durante essa parada, foram oferecidos muffins e bebidas para quem já estivesse com fome.

Momentos antes de ser atingida pela onda atrás das pedras!

Nosso penúltimo destino foram as Champagne Pools, essas piscinas naturais que foram formadas na praia pelas rochas. As piscinas são bem rasas, então se você não sabe nadar, não precisa se preocupar com a profundidade. Cuidado, no entanto, com os peixes grandes que ficam mordendo qualquer coisa que se mexa ao redor deles, afinal de contas, nós somos os intrusos. As pools são a oportunidade perfeita para sentar, dar uma relaxada na praia e ficar observando as ondas quebrando contra a galera que fica próxima demais das rochas.

Águas cristalinas do Eli Creek

E nossa última parada em Fraser foi um dos meus lugares favoritos da viagem, o Eli Creek. Com uma das águas mais bonitas e cristalinas que já vi, esse foi o passeio ideal para terminar nossa viagem que em sua maioria foi bem exaustiva. Vá andando mesmo ou pegue uma boia e desça o creek sem pressa. Como nossa tour disponibilizou boias, nós revezamos e descemos boiando e depois ficamos sentados na beirada, descansando e observando a galera se divertir. Passamos por volta de 2h no creek e durante essa ultima parada, foram disponibilizados lanches, sucos e barras de cereal para toda a galera.

Para encerrar nossa viagem com chave de ouro, voltamos para o resort, demos um mergulho na piscina maravilhosa que ainda não havíamos usado e nos aprontamos para a saída do ônibus em direção ao terminal das balsas e Rainbow Beach. Em Rainbow, ainda paramos em um dos hotéis para jantarmos antes da viagem de duas horas de volta para Brisbane.

Fraser Island é o destino ideal para quem curte turismo de aventura ou simplesmente é apaixonado pela natureza. Com paisagens de tirar o fôlego, águas cristalinas e lugares inesquecíveis, é um dos lugares que você não pode deixar de visitar quando estiver em Queensland e na Austrália. Tem espaço e opções para todos os gostos, de mares a caminhadas e lagos. Esse foi o nosso segundo e último dia da viagem, mas o primeiro está todo completo e detalhado aqui.

Qualquer dúvida, deixe um comentário que farei o possível para ajudar.

Música

PARA OUVIR: BRANDON AND LEAH

junho 22, 2017

Foi em 2013, no Kmart em New York que a televisão começou a rodar o clipe de Life Happens, do casal Brandon and Leah. Com uma vibe praiana, luau e acústica e um clipe de fazer qualquer um sorrir e desejar ter aquela vida a três, foi quase um amor à primeira vista. Quase não, foi amor à primeira vista pelo amor alheio.

Brandon e Leah tocam juntos desde os tempos da escola, são casados há alguns anos e tem uma filhinha a coisa mais fofa do mundo, Eva, e dois EPs lançados, o Cronies, lançado em Abril de 2013 que alcançou a posição #16 no Billboard Independent Albums Chart e o Together, lançado em Outubro de 2014. Para quem curte um som mais praiano, acústico, estilo Colbie Caillat e Jason Mraz, esses são artistas que vocês vão querer escutar e facilmente vão ficar viciados.

Ambos compõem e cantam na dupla, mas a Leah fica com a maioria dos vocais. Os ritmos tem um tom mais reggae e indie pop, o que é a combinação perfeita para qualquer dia, especialmente se você estiver fazendo uma caminhada ou numa road trip com a galera. Eles fazem o tipo de música que faz você querer mudar para a praia e só viver de música, de arte e de amor. Eu viajo para outro lugar enquanto ouço esses dois, um lugar calmo e sereno e longe, bem longe.

Um fato legal que eu descobri só anos depois que conheci a dupla é que o Brandon é filho do Bruce Jenner (agora Caitlyn). Isso, o ex-padrasto das Kardashians e pai das Jenner. Mundo pequeno, né?

Das minhas favoritas, além de Life Happens, sou apaixonada por Vaseline e Showstopper, mas meu coração tem espaço para todas as músicas apaixonantes desses dois. Falando neles, como eu sou apaixonada pelas fotos do encarte do Together, vou deixar vocês com algumas delas.

Espero que curtam o som ♡

Palavreando, Vida

Se perder é preciso

junho 5, 2017

Eu tenho essa mania estranha de me perder. Estranha para os outros porque para mim é tão normal, que já aceitei como parte da minha identidade: ela se perde e ponto.

Ontem, segunda-feira, não foi diferente. Saí de casa acompanhada do meu livro para dar continuidade ao meu mais novo hobby: visitar um coffee shop novo nos meus dias de folga. O escolhido de ontem foi o Duce & Co, um cafezinho todo minimalista e charmoso que se você não se esforçar para enxergar, passa despercebido no olhar. Pois bem, deduzindo – vai lá, espertona! – que sabia onde era o café, sai destemida como a luz do dia e fui em busca. Fechei o mapa no meio da caminho e fui porque ‘já sabia’ onde era. Errei, claro. Parei, tentei entender o Google Maps, pensei que tinha entendido, fui de novo e como aquele lugar que eu já havia passado na frente era a escolha óbvia, fui direto nele. Não preciso falar, né? Errei de novo. Depois de quinze minutos andando pela cidade, dando a volta no quarteirão que parecia infinito e provavelmente passando por pessoas que já deveriam ter visto a barata tonta que vos fala completamente perdida depois de estar morando há um ano na mesma cidade passar mil vezes no mesmo lugar, desisti e decidi ir em outro coffee shop. No caminho da desistência, para a minha sorte, tinha um banco. Sentei, olhei o mapa de novo e olhei para a esquina a minha frente. Era ali, eu só precisava subir a rua.

Enquanto eu tomava meu mocha na “maior xícara que você tiver, por favor”, e lia meu livro e o rádio tocava Ed Sheeran e eu me segurava para não subir na mesa e dançar, eu parei por um minuto, olhei ao redor do café todo charmoso e pensei sobre como a vida é exatamente como a minha segunda-feira, mas em proporções maiores. A gente pensa que sabe, mas não sabe. Acha que viu, mas não viu. Deduz isso mas é aquilo. Se perde e depois se acha. Se perde para se achar. E quando a gente passa tanto tempo se perdendo, acaba achando coisas que nem faziam parte do plano, que não estavam no roteiro. Veja bem, eu encontrei dois novos cafés para ir que não estavam na lista.

Como eu falei no começo do post, já aceitei que me perder faz parte da minha identidade e deitada na cama no meu quarto escuro, pensando em como começar esse post, pensei também em todas as vezes que me perdi e em todas as vezes que foi necessário me perder para então me encontrar e encontrar coisas lindas pelo caminho. Foram tantas vezes, amigos. Lugares, pessoas, palavras, motivos, coincidências, ironias, corredores, abraços, beijos, declarações, livros, músicas, amores, amigos.

E enquanto eu pensava nessas perdas, pensei também na necessidade que nós temos de completamente nos perder de vez em quando para uma causa maior do que apenas um café num dia de folga. Se perder faz parte desse grande espetáculo de improvisação que é a vida. A gente se perde em milhões de caras errados para então achar e se achar no cara certo. Se perde no caminho daquele lugar e sem querer, acaba encontrando o outro que talvez venha a visitar nos próximos dias. Se perde no corredor de ficção da livraria enquanto procurava um romance, mas a capa do livro chama atenção e a gente acha um novo para ler. Se perde na playlist do Spotify procurando uma música com aquele nome, acha e o player começa a tocar outra de mesmo nome na sequencia e de repente, mais uma música, mais um achado. Se perde no corredor da loja, do mercado, da padaria procurando uma coisa e volta com o carrinho com quinze a mais que talvez sejam mais querer do que necessidade, mas ainda assim. Se perde e se deixa perder nos amigos errados para finalmente achar e entender quem são os certos. Se perde morando num país, cidade, bairro errado para então descobrir qual o lugar certo. Se perde na profissão, na posição, no emprego errado para finalmente se dar conta de que precisa e deve achar algo melhor, que valha a pena. Enfim, a lista é longa e vocês podem continuar se quiserem.

O que eu venho aprendendo e isso não começou ontem é que é às vezes, a necessidade de se perder não se apresenta como necessidade, mas como uma infelicidade, um pedaço irritante do seu dia, um imprevisto desnecessário. Otimista que venho tentando ser, estou tentando ver as coisas com outros olhos esses últimos tempos e vou contar um segredo para vocês: facilita muito levar a vida numa boa e aprender a lidar com todos esses perdidos e achados da vida. (In)felizmente, poucas vezes na vida as coisas vão ser da maneira que queremos ou planejamos. Aceitar e saber lidar com isso não só facilita, como deixa a vida um pouco mais gostosa e leve, além de boas risadas e boas histórias para contar.

Abrace os imprevistos e perca-se de vez em quando. A gente nunca sabe o que está procurando até se perder.

Austrália, Pé na Estrada

TRIP JOURNAL: FRASER ISLAND, A MAIOR ILHA DE AREIA DO MUNDO

maio 28, 2017

Fraser Island, localizada a 300km de Brisbane está na lista de World Heritage e é considerada a maior ilha de areia do mundo, com 123km de extensão. Fraser é também o único lugar do mundo onde rainforest cresce em dunas de areia com elevações a mais de 200 metros. Tirando todos os fatos pesquisados na internet, Fraser é um dos lugares de beleza naturais mais incríveis que tive o prazer de visitar. Com águas cristalinas, abundância de natureza e cenários de tirar o fôlego, arrisco dizer que deve ser um dos lugares obrigatórios a ser visitados quando você estiver na Austrália. Com opções de tours de um dia ou dois (como a que nós escolhemos), a ilha é um paraíso que surpreende a cada quilometro percorrido de areia.

Como chegar

Existem três opções comuns: tours, aluguel de 4WD ou voos saindo de Brisbane, Melbourne e Sydney por operadoras limitadas, como a QantasLink e a Virgin Australia. Saindo de Brisbane, a melhor opção é alugar um carro 4×4 ou uma tour fechada por alguma operadora, o que nós fizemos. Devido a grande extensão de areia, Fraser não tem acesso pavimentado e apenas carros com tração 4×4 são autorizados a entrar na ilha. Se você não tem experiência com esse tipo de veiculo ou não se sente seguro dirigindo por longos períodos em uma extensão de areia infinita, a melhor opção é fechar uma tour com uma agencia especializada, carros propícios e guias turísticos que conhecem a ilha como a palma da mão. Saindo de Brisbane, os transfers para o ferry até a ilha são feitos através de Rainbow Beach, praia ao norte da cidade, localizada há três horas de carro do centro.

Nosso caminho até Rainbow foi coberto por neblina

A tour

Pensando no melhor custo beneficio, fechamos a tour de 2 dias com a Hello Australia, agência de viagem famosa na Austrália e parceira da empresa especializada de tours na ilha, Fraser Explorer Tours. Existe a opção de fechar direto com a empresa, mas fechando com a Hello conseguimos um bom desconto na tour, saindo de $379 no quarto divido com 4 pessoas por $315. Para bom viajante, toda barganha é bem vinda! A tour explora os lugares mais famosos da ilha durante os dois dias de passeio e inclui hospedagem no Eurong Beach Resort e todas as refeições são inclusas, assim como os passeios. Se você está em alguma dieta especial, não esqueça de comunicar o agente de viagem com antecedência.

O caminho: saímos às 4h da manhã de Brisbane com o carro que alugamos e dirigimos até Rainbow Beach, o que levou em torno de 3h. Chegando lá, tomamos café da manhã no Cafe Jilarty at Rainbow, um café super charmoso anexo a uma mini galeria de arte independente. Logo o ônibus da tour chegou para nos pegar no ponto de encontro que escolhemos quando fechamos o pacote e nos dirigiu durante 1h até o porto onde a balsa nos pegou para levar até a ilha. Mais 15min na balsa e finalmente nossa aventura começava!

Atenção! Se você enjoa com facilidade por qualquer movimento, leve uma boa quantidade de Dramin ou qualquer outro medicamento anti-enjoo na viagem, você vai precisar. Pelo fato de não existir estradas e o caminho inteiro ser feito de dunas de areia, o ônibus se mexe o tempo todo e em muitas vezes, os movimentos bruscos fazem com que os passageiros até levantem do assento. Para pessoas com estômago fraco, não recomendo o passeio sem o uso de medicamentos apropriados.

A água cristalina do Lake Mackenzie 

“A felicidade só é real quando compartilhada” – Into The Wild

Sente na beira do lago por uns minutos e aprecie sua beleza extraordinária 

O primeiro dia 

A primeira parada da tour assim saímos da balsa é direto para a atração mais famosa de Fraser, o Lake Mackenzie. Pelas fotos já dá para perceber o motivo da fama do lago e suas águas cristalinas de vários tons de azul. O lago é um desses lugares que você pisca várias vezes quando vê a primeira vez para ter certeza de que é real. Mergulhe, tire diversas fotos, se filme de baixo da água e registre todos os momentos, porém, não perca a oportunidade de sentar na beira do lago e prestar atenção na água e em como os tons mudam conforme a profundidade vai aumentando. De um transparente na borda ao azul turquesa mais profundo no fundo, o Lake Mackenzie é um paleta de azuis de tirar o fôlego. O tempo que ficamos por lá é de 1h, o que achamos curto, contando que é a atração mais famosa da ilha, mas para  quem tem tempo limitado, é o suficiente para curtir o passeio.

Wanggoolba Creek, considerado invisível correndo dentro da floresta

E o tronco dessa árvore que parece ter sido entalhado à mão?

Saindo do Lake Mackenzie, nossa próxima parada foi a Central Station e o Pile Valley, a rainforest de Fraser. Com uma caminhada de 20min por dentro da mata, é possível ver as árvores imensas que cresceram em nada além de areia e o Wanggoolba Creek, que corre silencioso por dentro da mata. Se você curte caminhadas mata a dentro, esse é um passeio imperdível. Eu, cagona que sou, fiz a caminhada olhando para baixo o tempo inteiro, com medo de avistar aranhas ou cobras nas copas das árvores. Aquele velho ditado, ‘quem procura, acha‘. Eu não procurei, logo não achei. O passeio é opcional, você pode ficar dentro do ônibus se quiser enquanto os outros finalizam a caminhada ou aproveitar tudo o que o passeio tem a oferecer, que foi o que nós fizemos!

As dunas de areia de Hammerstone Sandblow

A água esmeralda do Lake Wabby: cenário de arrepiar 

Saindo da caminhada pela rainforest, voltamos para o ônibus e fomos para o resort almoçar e nos instalar nos quartos. Depois de um descanso depois do almoço, hora da próxima aventura: uma caminhada de 50min mata adentro para chegarmos no Hammerstone Sandblow e no Lake Wabby. O sandblow em questão é esse mar de areia das fotos, que lembra um deserto infinito mas sem todo o verde e sem o encontro com o lago. Depois dos primeiros 50min andando e a caminhada sob areia fofa cheia de subidas e descidas, o cansaço não é surpresa mas é compensado pela água de tom esmerada do Lake Wabby. Água verde, limpa, pura. De primeira, o cenário me lembrou um filme de terror. Mata verde, lago tão verde que nos impedia de ver o fundo, água congelante, céu escurecendo; um contrastante totalmente diferente do Mackenzie. Eu imaginava que a qualquer momento o monstro do lago ia aparecer. Bobeira minha, claro.

Como eu não sei nadar – eu sei, pois é – fiquei bem na beirinha, principalmente porque não tinha noção da profundidade do lago e a cada passo, a areia afundava de maneira assustadora. Prepare-se para ficar pulando o tempo inteirinho por conta dos peixinhos que ficam te mordendo dentro do lago. São pequenos e inofensivos, mas as mordidinhas incomodam, principalmente por conta da frequência. Confesso que o motivo de ter topado a caminhada de primeira foi porque havia entendido que seriam apenas 15min e não 50min. Em Inglês, as duas pronuncias são bem próximas. Se você já estiver esgotado, repense antes de topar porque quanto mais cansado, mais distante o final parece, porém, tenha em mente que poucas vezes na vida você vai experienciar algo tão incrível quanto ver o sol se pondo num lago esmeralda cercado por mata verde de um lado e dunas de areia do outro.

Por fim, voltamos para o ônibus super cansados e fomos para o resort tomar banho e nos arrumarmos para jantar. As opões de comidas não são muitas no buffet, mas são o suficiente e agradam a todos os gostos. No final da noite, se tiver pique, depois do jantar vá ao Beach Bar, que fica dentro do resort e ao lado do Nomads Backpackers, onde rolam competições de beer pong e a  música rola solta a noite toda. Arrisque também uma partida de sinuca com a galera do hostel!

A viagem ainda não acabou. Na próxima semana vou postar tudo sobre o segundo dia, com muito mais fotos de um dos meus lugares favoritos no passeio, que encerrou nossa viagem de maneira deliciosa e super divertida.

E aí, partiu Fraser Island? Junta a galera, faz as malas e se joga nesse paraíso!

Cotidiano

RECORTES & MOMENTOS DA VIDA EM ABRIL

maio 11, 2017

Abril foi uma montanha russa, mas como diria Augustus Waters, “eu estou numa montanha russa que só vai para cima, meu amigo”.

O amigo voltou de férias do Brasil e com ele trouxe histórias e saudades que me trouxeram histórias, saudades de toda a vida dela lá e das férias do ano passado. O retorno dele trouxe também a ansiedade para quando eu voltar no final desse ano. Não voltar de vez, mas voltar para visitar a família e amigos porque me falta a coragem que muitos tem de passar tanto tempo longe de casa.  Com ele além das saudades e histórias, trouxe também os presentes da minha mãe e o bilhete dela colado na embalagem da Saraiva. Isso, aquele mesmo que fez escrever aquele texto – mais um outro – sobre saudades de casa, saudades dela. O livro do Lucão, Telegramas, como eu já esperava é maravilhoso, mas confesso, prefiro o primeiro. Com o livro, veio meu All-Star branco e minha alpargata crua da Havaianas que minha mãe disse “que é sua cara e você vai amar”. Eu tinha pedido um All-Star amarelo, mas o cru serviu como uma luva.

Persistência. Errar é humano. Persistir no erro é poesia. 

Andei num dia nebuloso na beira do rio e chorei. Chorei de cansaço, de saudade, de confusão, de desamor, de raiva, de decepção, de angústia de passar tanto tempo sem chorar. Caminhei por vários minutos até encontrar um banco, abri o livro e não consegui me concentrar nas palavras, cansei de insistir e olhei para a cidade e os barcos a minha frente. E chorei, porque eu quis e porque eu precisava chorar. Voltei a caminhar de volta para casa, chorei mais um pouco e logo parei porque já tinha chorado o que tinha para chorar. Meu choro é curto, assim como minha tristeza é passageira.

Fizemos churrasco e tomamos caipirinha, vi a lua assim de pertinho e me apaixonei por essa foto, ganhei um coelho da Páscoa e andei de roupão pelo Kmart. Comprei uma frigideira e me apaixonei por ela e questionei seu eu estava ficando velha ou virado minha mãe. Qualquer um dos dois me fez feliz. Fui na Galeria de Arte da cidade com um amigo e choramos de rir porque, (in) felizmente, nós não temos maturidade para Arte Moderna. Respeitamos, mas não temos maturidade. Certas coisas simplesmente não fazem sentido.

Mudei de casa e pela primeira vez em muito tempo, fiquei verdadeiramente feliz e satisfeita com o meu novo cantinho. Meu quarto tem a janela dos meus sonhos, onde eu finalmente consigo apoiar os meus livros, a luz do Sol deixa ele com tons amarelados maravilhosos e os meus novos flatmates são incríveis, colombianos e malteses, com sede de vida e de compartilhar momentos. Cozinhamos, bebemos, cantamos, aprendemos novas línguas e saímos juntos, como se fôssemos amigos há muito tempo.

Meu novo aconchegante cantinho ♡

Foi em Abril que também andei de bicicleta pela primeira vez em muito tempo e quase morri de exaustão. Peguei a bicicleta da cidade me sentindo a atleta de triatlo e fui encontrar minha amiga num Domingo de manhã para tomarmos café da manhã. O que eu não contava era que a bicicleta pesava tanto e que o bairro tinha tanta subida. Resumindo, o percurso que deveria demorar 23min eu fiz em uma hora e a deixei esperando todo esse tempo. O lado bom, no entanto, é que o café da manhã valeu a pena e eu finalmente visitei um dos lugares que sempre quis comer e, de quebra, vi um fusca amarelo na rua. Pequeno fato: fusca amarelo é um dos carros dos meus sonhos, então imaginem minha felicidade quando o vi perdido por esses lados do mundo.

Poached eggs, smoked salmon, haloumi, torrada e espinafre, um amor chamado café da manhã no Smoked Paprika.

Fusca amarelo, o carro dos sonhos

Para finalizar o que foi esse mês de altos e baixos, assisti filmes que queria ver há muito tempo e que vou falar deles depois, vivi a nostalgia dos dois anos do show do Ed com o post que escrevi para o meu blog antigo, fui a primeira pessoa a cantar parabéns para o meu melhor amigo e ficamos horas no telefone matando a saudade e fazendo planos, escrevi poesia para os amigos que também ficaram mais velhos naquele mês e tomei coragem de publicar, coisa que nunca havia acontecido porque, apesar de gostar de botar palavras para fora, meus versos gosto de mandar guardados comigo.

E já que Abril não teve o Projeto 6 on 6 e honestamente, nenhuma das minhas ideias me entusiasmaram a publicar, pensei em fazer esse post cheio de fotos para compensar a falta de criatividade. Essa coisa de comprometimento está se apresentando como um problema de novo, mas venho lutando contra porque o meu prazer em escrever finalmente se tornou maior que a minha preguiça e o meu auto-criticismo. Falando em escrita, mês passado terminei um dos meus posts mais pessoais e favoritos. Sempre que posso releio e sorrio porque me faz feliz, apesar de falar de saudade. Venho criando coragem e escolhendo o momento certo para publica-lo, quero que seja especial.

E para fechar esses recortes e momentos, uma foto do meu primeiro por do sol da minha nova janela. Já contei para vocês o quanto eu sou apaixonada pelo céu? É um amor antigo que só cresce cada vez que o Universo me apresenta uma beleza dessas.