Música

PARA OUVIR: BRANDON AND LEAH

junho 22, 2017

Foi em 2013, no Kmart em New York que a televisão começou a rodar o clipe de Life Happens, do casal Brandon and Leah. Com uma vibe praiana, luau e acústica e um clipe de fazer qualquer um sorrir e desejar ter aquela vida a três, foi quase um amor à primeira vista. Quase não, foi amor à primeira vista pelo amor alheio.

Brandon e Leah tocam juntos desde os tempos da escola, são casados há alguns anos e tem uma filhinha a coisa mais fofa do mundo, Eva, e dois EPs lançados, o Cronies, lançado em Abril de 2013 que alcançou a posição #16 no Billboard Independent Albums Chart e o Together, lançado em Outubro de 2014. Para quem curte um som mais praiano, acústico, estilo Colbie Caillat e Jason Mraz, esses são artistas que vocês vão querer escutar e facilmente vão ficar viciados.

Ambos compõem e cantam na dupla, mas a Leah fica com a maioria dos vocais. Os ritmos tem um tom mais reggae e indie pop, o que é a combinação perfeita para qualquer dia, especialmente se você estiver fazendo uma caminhada ou numa road trip com a galera. Eles fazem o tipo de música que faz você querer mudar para a praia e só viver de música, de arte e de amor. Eu viajo para outro lugar enquanto ouço esses dois, um lugar calmo e sereno e longe, bem longe.

Um fato legal que eu descobri só anos depois que conheci a dupla é que o Brandon é filho do Bruce Jenner (agora Caitlyn). Isso, o ex-padrasto das Kardashians e pai das Jenner. Mundo pequeno, né?

Das minhas favoritas, além de Life Happens, sou apaixonada por Vaseline e Showstopper, mas meu coração tem espaço para todas as músicas apaixonantes desses dois. Falando neles, como eu sou apaixonada pelas fotos do encarte do Together, vou deixar vocês com algumas delas.

Espero que curtam o som ♡

Palavreando, Vida

Se perder é preciso

junho 5, 2017

Eu tenho essa mania estranha de me perder. Estranha para os outros porque para mim é tão normal, que já aceitei como parte da minha identidade: ela se perde e ponto.

Ontem, segunda-feira, não foi diferente. Saí de casa acompanhada do meu livro para dar continuidade ao meu mais novo hobby: visitar um coffee shop novo nos meus dias de folga. O escolhido de ontem foi o Duce & Co, um cafezinho todo minimalista e charmoso que se você não se esforçar para enxergar, passa despercebido no olhar. Pois bem, deduzindo – vai lá, espertona! – que sabia onde era o café, sai destemida como a luz do dia e fui em busca. Fechei o mapa no meio da caminho e fui porque ‘já sabia’ onde era. Errei, claro. Parei, tentei entender o Google Maps, pensei que tinha entendido, fui de novo e como aquele lugar que eu já havia passado na frente era a escolha óbvia, fui direto nele. Não preciso falar, né? Errei de novo. Depois de quinze minutos andando pela cidade, dando a volta no quarteirão que parecia infinito e provavelmente passando por pessoas que já deveriam ter visto a barata tonta que vos fala completamente perdida depois de estar morando há um ano na mesma cidade passar mil vezes no mesmo lugar, desisti e decidi ir em outro coffee shop. No caminho da desistência, para a minha sorte, tinha um banco. Sentei, olhei o mapa de novo e olhei para a esquina a minha frente. Era ali, eu só precisava subir a rua.

Enquanto eu tomava meu mocha na “maior xícara que você tiver, por favor”, e lia meu livro e o rádio tocava Ed Sheeran e eu me segurava para não subir na mesa e dançar, eu parei por um minuto, olhei ao redor do café todo charmoso e pensei sobre como a vida é exatamente como a minha segunda-feira, mas em proporções maiores. A gente pensa que sabe, mas não sabe. Acha que viu, mas não viu. Deduz isso mas é aquilo. Se perde e depois se acha. Se perde para se achar. E quando a gente passa tanto tempo se perdendo, acaba achando coisas que nem faziam parte do plano, que não estavam no roteiro. Veja bem, eu encontrei dois novos cafés para ir que não estavam na lista.

Como eu falei no começo do post, já aceitei que me perder faz parte da minha identidade e deitada na cama no meu quarto escuro, pensando em como começar esse post, pensei também em todas as vezes que me perdi e em todas as vezes que foi necessário me perder para então me encontrar e encontrar coisas lindas pelo caminho. Foram tantas vezes, amigos. Lugares, pessoas, palavras, motivos, coincidências, ironias, corredores, abraços, beijos, declarações, livros, músicas, amores, amigos.

E enquanto eu pensava nessas perdas, pensei também na necessidade que nós temos de completamente nos perder de vez em quando para uma causa maior do que apenas um café num dia de folga. Se perder faz parte desse grande espetáculo de improvisação que é a vida. A gente se perde em milhões de caras errados para então achar e se achar no cara certo. Se perde no caminho daquele lugar e sem querer, acaba encontrando o outro que talvez venha a visitar nos próximos dias. Se perde no corredor de ficção da livraria enquanto procurava um romance, mas a capa do livro chama atenção e a gente acha um novo para ler. Se perde na playlist do Spotify procurando uma música com aquele nome, acha e o player começa a tocar outra de mesmo nome na sequencia e de repente, mais uma música, mais um achado. Se perde no corredor da loja, do mercado, da padaria procurando uma coisa e volta com o carrinho com quinze a mais que talvez sejam mais querer do que necessidade, mas ainda assim. Se perde e se deixa perder nos amigos errados para finalmente achar e entender quem são os certos. Se perde morando num país, cidade, bairro errado para então descobrir qual o lugar certo. Se perde na profissão, na posição, no emprego errado para finalmente se dar conta de que precisa e deve achar algo melhor, que valha a pena. Enfim, a lista é longa e vocês podem continuar se quiserem.

O que eu venho aprendendo e isso não começou ontem é que é às vezes, a necessidade de se perder não se apresenta como necessidade, mas como uma infelicidade, um pedaço irritante do seu dia, um imprevisto desnecessário. Otimista que venho tentando ser, estou tentando ver as coisas com outros olhos esses últimos tempos e vou contar um segredo para vocês: facilita muito levar a vida numa boa e aprender a lidar com todos esses perdidos e achados da vida. (In)felizmente, poucas vezes na vida as coisas vão ser da maneira que queremos ou planejamos. Aceitar e saber lidar com isso não só facilita, como deixa a vida um pouco mais gostosa e leve, além de boas risadas e boas histórias para contar.

Abrace os imprevistos e perca-se de vez em quando. A gente nunca sabe o que está procurando até se perder.

Austrália, Pé na Estrada

TRIP JOURNAL: FRASER ISLAND, A MAIOR ILHA DE AREIA DO MUNDO

maio 28, 2017

Fraser Island, localizada a 300km de Brisbane está na lista de World Heritage e é considerada a maior ilha de areia do mundo, com 123km de extensão. Fraser é também o único lugar do mundo onde rainforest cresce em dunas de areia com elevações a mais de 200 metros. Tirando todos os fatos pesquisados na internet, Fraser é um dos lugares de beleza naturais mais incríveis que tive o prazer de visitar. Com águas cristalinas, abundância de natureza e cenários de tirar o fôlego, arrisco dizer que deve ser um dos lugares obrigatórios a ser visitados quando você estiver na Austrália. Com opções de tours de um dia ou dois (como a que nós escolhemos), a ilha é um paraíso que surpreende a cada quilometro percorrido de areia.

Como chegar

Existem três opções comuns: tours, aluguel de 4WD ou voos saindo de Brisbane, Melbourne e Sydney por operadoras limitadas, como a QantasLink e a Virgin Australia. Saindo de Brisbane, a melhor opção é alugar um carro 4×4 ou uma tour fechada por alguma operadora, o que nós fizemos. Devido a grande extensão de areia, Fraser não tem acesso pavimentado e apenas carros com tração 4×4 são autorizados a entrar na ilha. Se você não tem experiência com esse tipo de veiculo ou não se sente seguro dirigindo por longos períodos em uma extensão de areia infinita, a melhor opção é fechar uma tour com uma agencia especializada, carros propícios e guias turísticos que conhecem a ilha como a palma da mão. Saindo de Brisbane, os transfers para o ferry até a ilha são feitos através de Rainbow Beach, praia ao norte da cidade, localizada há três horas de carro do centro.

Nosso caminho até Rainbow foi coberto por neblina

A tour

Pensando no melhor custo beneficio, fechamos a tour de 2 dias com a Hello Australia, agência de viagem famosa na Austrália e parceira da empresa especializada de tours na ilha, Fraser Explorer Tours. Existe a opção de fechar direto com a empresa, mas fechando com a Hello conseguimos um bom desconto na tour, saindo de $379 no quarto divido com 4 pessoas por $315. Para bom viajante, toda barganha é bem vinda! A tour explora os lugares mais famosos da ilha durante os dois dias de passeio e inclui hospedagem no Eurong Beach Resort e todas as refeições são inclusas, assim como os passeios. Se você está em alguma dieta especial, não esqueça de comunicar o agente de viagem com antecedência.

O caminho: saímos às 4h da manhã de Brisbane com o carro que alugamos e dirigimos até Rainbow Beach, o que levou em torno de 3h. Chegando lá, tomamos café da manhã no Cafe Jilarty at Rainbow, um café super charmoso anexo a uma mini galeria de arte independente. Logo o ônibus da tour chegou para nos pegar no ponto de encontro que escolhemos quando fechamos o pacote e nos dirigiu durante 1h até o porto onde a balsa nos pegou para levar até a ilha. Mais 15min na balsa e finalmente nossa aventura começava!

Atenção! Se você enjoa com facilidade por qualquer movimento, leve uma boa quantidade de Dramin ou qualquer outro medicamento anti-enjoo na viagem, você vai precisar. Pelo fato de não existir estradas e o caminho inteiro ser feito de dunas de areia, o ônibus se mexe o tempo todo e em muitas vezes, os movimentos bruscos fazem com que os passageiros até levantem do assento. Para pessoas com estômago fraco, não recomendo o passeio sem o uso de medicamentos apropriados.

A água cristalina do Lake Mackenzie 

“A felicidade só é real quando compartilhada” – Into The Wild

Sente na beira do lago por uns minutos e aprecie sua beleza extraordinária 

O primeiro dia 

A primeira parada da tour assim saímos da balsa é direto para a atração mais famosa de Fraser, o Lake Mackenzie. Pelas fotos já dá para perceber o motivo da fama do lago e suas águas cristalinas de vários tons de azul. O lago é um desses lugares que você pisca várias vezes quando vê a primeira vez para ter certeza de que é real. Mergulhe, tire diversas fotos, se filme de baixo da água e registre todos os momentos, porém, não perca a oportunidade de sentar na beira do lago e prestar atenção na água e em como os tons mudam conforme a profundidade vai aumentando. De um transparente na borda ao azul turquesa mais profundo no fundo, o Lake Mackenzie é um paleta de azuis de tirar o fôlego. O tempo que ficamos por lá é de 1h, o que achamos curto, contando que é a atração mais famosa da ilha, mas para  quem tem tempo limitado, é o suficiente para curtir o passeio.

Wanggoolba Creek, considerado invisível correndo dentro da floresta

E o tronco dessa árvore que parece ter sido entalhado à mão?

Saindo do Lake Mackenzie, nossa próxima parada foi a Central Station e o Pile Valley, a rainforest de Fraser. Com uma caminhada de 20min por dentro da mata, é possível ver as árvores imensas que cresceram em nada além de areia e o Wanggoolba Creek, que corre silencioso por dentro da mata. Se você curte caminhadas mata a dentro, esse é um passeio imperdível. Eu, cagona que sou, fiz a caminhada olhando para baixo o tempo inteiro, com medo de avistar aranhas ou cobras nas copas das árvores. Aquele velho ditado, ‘quem procura, acha‘. Eu não procurei, logo não achei. O passeio é opcional, você pode ficar dentro do ônibus se quiser enquanto os outros finalizam a caminhada ou aproveitar tudo o que o passeio tem a oferecer, que foi o que nós fizemos!

As dunas de areia de Hammerstone Sandblow

A água esmeralda do Lake Wabby: cenário de arrepiar 

Saindo da caminhada pela rainforest, voltamos para o ônibus e fomos para o resort almoçar e nos instalar nos quartos. Depois de um descanso depois do almoço, hora da próxima aventura: uma caminhada de 50min mata adentro para chegarmos no Hammerstone Sandblow e no Lake Wabby. O sandblow em questão é esse mar de areia das fotos, que lembra um deserto infinito mas sem todo o verde e sem o encontro com o lago. Depois dos primeiros 50min andando e a caminhada sob areia fofa cheia de subidas e descidas, o cansaço não é surpresa mas é compensado pela água de tom esmerada do Lake Wabby. Água verde, limpa, pura. De primeira, o cenário me lembrou um filme de terror. Mata verde, lago tão verde que nos impedia de ver o fundo, água congelante, céu escurecendo; um contrastante totalmente diferente do Mackenzie. Eu imaginava que a qualquer momento o monstro do lago ia aparecer. Bobeira minha, claro.

Como eu não sei nadar – eu sei, pois é – fiquei bem na beirinha, principalmente porque não tinha noção da profundidade do lago e a cada passo, a areia afundava de maneira assustadora. Prepare-se para ficar pulando o tempo inteirinho por conta dos peixinhos que ficam te mordendo dentro do lago. São pequenos e inofensivos, mas as mordidinhas incomodam, principalmente por conta da frequência. Confesso que o motivo de ter topado a caminhada de primeira foi porque havia entendido que seriam apenas 15min e não 50min. Em Inglês, as duas pronuncias são bem próximas. Se você já estiver esgotado, repense antes de topar porque quanto mais cansado, mais distante o final parece, porém, tenha em mente que poucas vezes na vida você vai experienciar algo tão incrível quanto ver o sol se pondo num lago esmeralda cercado por mata verde de um lado e dunas de areia do outro.

Por fim, voltamos para o ônibus super cansados e fomos para o resort tomar banho e nos arrumarmos para jantar. As opões de comidas não são muitas no buffet, mas são o suficiente e agradam a todos os gostos. No final da noite, se tiver pique, depois do jantar vá ao Beach Bar, que fica dentro do resort e ao lado do Nomads Backpackers, onde rolam competições de beer pong e a  música rola solta a noite toda. Arrisque também uma partida de sinuca com a galera do hostel!

A viagem ainda não acabou. Na próxima semana vou postar tudo sobre o segundo dia, com muito mais fotos de um dos meus lugares favoritos no passeio, que encerrou nossa viagem de maneira deliciosa e super divertida.

E aí, partiu Fraser Island? Junta a galera, faz as malas e se joga nesse paraíso!

Cotidiano

RECORTES & MOMENTOS DA VIDA EM ABRIL

maio 11, 2017

Abril foi uma montanha russa, mas como diria Augustus Waters, “eu estou numa montanha russa que só vai para cima, meu amigo”.

O amigo voltou de férias do Brasil e com ele trouxe histórias e saudades que me trouxeram histórias, saudades de toda a vida dela lá e das férias do ano passado. O retorno dele trouxe também a ansiedade para quando eu voltar no final desse ano. Não voltar de vez, mas voltar para visitar a família e amigos porque me falta a coragem que muitos tem de passar tanto tempo longe de casa.  Com ele além das saudades e histórias, trouxe também os presentes da minha mãe e o bilhete dela colado na embalagem da Saraiva. Isso, aquele mesmo que fez escrever aquele texto – mais um outro – sobre saudades de casa, saudades dela. O livro do Lucão, Telegramas, como eu já esperava é maravilhoso, mas confesso, prefiro o primeiro. Com o livro, veio meu All-Star branco e minha alpargata crua da Havaianas que minha mãe disse “que é sua cara e você vai amar”. Eu tinha pedido um All-Star amarelo, mas o cru serviu como uma luva.

Persistência. Errar é humano. Persistir no erro é poesia. 

Andei num dia nebuloso na beira do rio e chorei. Chorei de cansaço, de saudade, de confusão, de desamor, de raiva, de decepção, de angústia de passar tanto tempo sem chorar. Caminhei por vários minutos até encontrar um banco, abri o livro e não consegui me concentrar nas palavras, cansei de insistir e olhei para a cidade e os barcos a minha frente. E chorei, porque eu quis e porque eu precisava chorar. Voltei a caminhar de volta para casa, chorei mais um pouco e logo parei porque já tinha chorado o que tinha para chorar. Meu choro é curto, assim como minha tristeza é passageira.

Fizemos churrasco e tomamos caipirinha, vi a lua assim de pertinho e me apaixonei por essa foto, ganhei um coelho da Páscoa e andei de roupão pelo Kmart. Comprei uma frigideira e me apaixonei por ela e questionei seu eu estava ficando velha ou virado minha mãe. Qualquer um dos dois me fez feliz. Fui na Galeria de Arte da cidade com um amigo e choramos de rir porque, (in) felizmente, nós não temos maturidade para Arte Moderna. Respeitamos, mas não temos maturidade. Certas coisas simplesmente não fazem sentido.

Mudei de casa e pela primeira vez em muito tempo, fiquei verdadeiramente feliz e satisfeita com o meu novo cantinho. Meu quarto tem a janela dos meus sonhos, onde eu finalmente consigo apoiar os meus livros, a luz do Sol deixa ele com tons amarelados maravilhosos e os meus novos flatmates são incríveis, colombianos e malteses, com sede de vida e de compartilhar momentos. Cozinhamos, bebemos, cantamos, aprendemos novas línguas e saímos juntos, como se fôssemos amigos há muito tempo.

Meu novo aconchegante cantinho ♡

Foi em Abril que também andei de bicicleta pela primeira vez em muito tempo e quase morri de exaustão. Peguei a bicicleta da cidade me sentindo a atleta de triatlo e fui encontrar minha amiga num Domingo de manhã para tomarmos café da manhã. O que eu não contava era que a bicicleta pesava tanto e que o bairro tinha tanta subida. Resumindo, o percurso que deveria demorar 23min eu fiz em uma hora e a deixei esperando todo esse tempo. O lado bom, no entanto, é que o café da manhã valeu a pena e eu finalmente visitei um dos lugares que sempre quis comer e, de quebra, vi um fusca amarelo na rua. Pequeno fato: fusca amarelo é um dos carros dos meus sonhos, então imaginem minha felicidade quando o vi perdido por esses lados do mundo.

Poached eggs, smoked salmon, haloumi, torrada e espinafre, um amor chamado café da manhã no Smoked Paprika.

Fusca amarelo, o carro dos sonhos

Para finalizar o que foi esse mês de altos e baixos, assisti filmes que queria ver há muito tempo e que vou falar deles depois, vivi a nostalgia dos dois anos do show do Ed com o post que escrevi para o meu blog antigo, fui a primeira pessoa a cantar parabéns para o meu melhor amigo e ficamos horas no telefone matando a saudade e fazendo planos, escrevi poesia para os amigos que também ficaram mais velhos naquele mês e tomei coragem de publicar, coisa que nunca havia acontecido porque, apesar de gostar de botar palavras para fora, meus versos gosto de mandar guardados comigo.

E já que Abril não teve o Projeto 6 on 6 e honestamente, nenhuma das minhas ideias me entusiasmaram a publicar, pensei em fazer esse post cheio de fotos para compensar a falta de criatividade. Essa coisa de comprometimento está se apresentando como um problema de novo, mas venho lutando contra porque o meu prazer em escrever finalmente se tornou maior que a minha preguiça e o meu auto-criticismo. Falando em escrita, mês passado terminei um dos meus posts mais pessoais e favoritos. Sempre que posso releio e sorrio porque me faz feliz, apesar de falar de saudade. Venho criando coragem e escolhendo o momento certo para publica-lo, quero que seja especial.

E para fechar esses recortes e momentos, uma foto do meu primeiro por do sol da minha nova janela. Já contei para vocês o quanto eu sou apaixonada pelo céu? É um amor antigo que só cresce cada vez que o Universo me apresenta uma beleza dessas.

Artistando, Música

O cara, o violão e o pedal…

abril 28, 2017

São Paulo, 28 de Abril de 2015.
Terça-feira, 21:30.
Espaço das Américas, Barra Funda.

Um pedestal.
Uma looping pedal.
Um cara segurando um violão.
Uma multidão com garganta de aço, coração mole e choro frouxo.

“Ooh I’m a mess right now
Inside out
Searching for a sweet surrender
But this is not the end…”

Essas foram as primeiras palavras da noite.

Sem oi, olá e é bom estar aqui. Direto ao assunto, sem rodeios.
E meu coração parou.
O ar saiu todinho do meu pulmão e quando voltou, eu cantei como se minha vida dependesse daquelas palavras.
Cantei com ele, por ele, para ele e berrei as letras que tanto significam para mim com todo mundo ao redor porque todo mundo estava ali pelo mesmo motivo: por ele e pelo violão porque não tem ele sem violão.
E eu, honestamente e do fundo do meu coração, nunca vi algo como o que aconteceu naquele palco.
Ele se perdeu.
Se perdeu em si mesmo, em sua própria arte, se perdeu no microfone, no violão e no pedal que é sua marca registrada, o que o faz ser o tipo de artista que é: único.
Foda.
O violão virou bateria e depois virou guitarra e baixo e a multidão era o backing vocal e os efeitos especiais também. Ele o vocalista, nós a banda.

Foi o melhor show da minha vida.

Entendam, não é exagero de minha parte.
Já fui em mais shows de pessoas que sou fã do que sou capaz de lembrar. Algumas vezes, duas vezes no exato mesmo show, mas nenhum como o dele, com alguém como ele.
Nenhum show em que a única ordem seguida é a sequência das musicas, já que essa é a única coisa quase certa sobre toda a turnê. De resto, tudo é uma completa bagunça.
Musicas de 3 minutos se transformaram em musicas de 8 minutos.
Improvisos criados de acordo com o público, como ele mesmo esclareceu.
Musicas que terminaram começo da música seguinte, sem tempo pra respirar.
Gritos que tomaram conta do espaço e até quem não quis, entrou na vibe e gritou junto.
O primeiro verso foi dele, os demais tem mais três musicas diferentes no meio, desde clássicos a raps pra depois finalizar com a música dele de novo e de alguma maneira absolutamente estranha, fez sentido.
Ele faz sentido.
O que ele faz no palco faz sentido.
Eu e aqueles milhares de pessoas estarem ali, cantando até não ter mais voz, sacudindo a mão até os ossos arderem, acendendo celulares e qualquer coisa que brilhe porque ele pede, gritando sob o comando exigente dele, sempre pedindo para que gritemos mais alto faz sentido, porque ele vale a pena.
Porra, ele vale a pena.
E eu poderia escrever pelo menos 50 páginas explicando todos os motivos pelos quais ele vale a pena, motivos pelos quais ele vale qualquer esforço, mas vou ater-me somente ao lado musical por hora.
Musicalmente, artisticamente, autenticamente, drasticamente, ele vale a pena.
O palco é dele, o show é dele, o violão é dele e ele é de todo mundo que parou e prestou atenção no que aconteceu naquele palco quando tocou Bloodstream, Give Me Love e You Need Me, I Don’t Need You.
E quando ele começou I See Fire ainda tocando Feeling Good e foi Michael Bublé a Hobbit, o delírio foi geral e todo mundo se perdeu também.
Quem é fã ficou sem chão por antecendência.
Quem não era, perdeu o chão sem a menor intenção.
Os pais que estavam lá por obrigação não sabiam o que esperar ou não tinham expectativas nenhuma, nada além do que ouviam em casa e quando perceberam que estavam errados em não esperar nada e passaram a fazer parte da turma dos gritos, eram só sorrisos e elogios em tons impressionados do tipo “Caramba, o cara é bom mesmo”.

“Cause with the lyrics I’ll be aiming it right
I won’t stop till my name is in light
Stadium heights with damien rice
On red carpets, now I’m on arabian nights
Because I’m young I know my brother’s gonna give me advice
Long nighter, short heigh, and I’m going hyper
Never be anything but a singer-songwriter
yeah the game’s over but now I’m on a new level
Watch how I step on the track without a loop pedal…”

O sorriso dele me fez derreter todinha.
Ali estavam milhares de pessoas que saíram de casa por um único cara, todo mundo estava ali por ele. Dos pais aos namorados e amigos que não conheciam e só estavam acompanhando, todos estavam ali por ele.
E ainda assim, ele encontrou uma maneira de olhar pra frente, depois olhar pra baixo e sorrir com vergonha, a ponto de ficar corado, como se não merecesse ou acreditasse.
E quando eu olhei para trás e todo mundo cantava junto, com os celulares iluminando todo o lugar, alguns rostos molhados por lágrimas incessantes, eu sorri também porque talvez ele não saiba ainda, talvez ele não entenda, mas os pedaços de papel que ele rabisca as letras e os acordes e as notas nunca foram tão relevantes como naquele momento.

Foi de arrepiar.

Ouvir todo mundo cantar junto, mesmo quando ele não pedia, foi de arrepiar.
Ser parte de algo daquela dimensão foi de arrepiar.
Ver o sorriso bobo no rosto dele foi de arrepiar.
Foi de tirar o fôlego.
Ver meu cantor, compositor e musicista favorito no palco foi de tirar o fôlego.
Ver ao vivo o que ele é capaz de causar sozinho em milhares de pessoas foi de tirar o fôlego.
As luzes piscando no palco, o rosto multiplicado por quatro no telão, ele pulando em cima da caixa de som, os gritos de “oooohs” e “aaaahs” e “shalalalala”, e a expectativa de que a corda do violão fosse estourar a qualquer momento por causa da avidez e urgência que foram tocadas foi de tirar o fôlego.
Ouvir minha música favorita ser tocada pelo meu músico favorito, enquanto ele dançava ao fundo com tanta graça… Puta que pariu, foi de tirar o fôlego.
Então ele foi pra música final e pediu para todo mundo cantar até não poder mais e como seu pedido foi ordem, nós cantamos.
Cantamos repetidamente “oooooh” até ele não estar mais no palco e as luzes do espaço acenderem, avisando que foi aquilo, tinha acabado.
Sem tchau, adeus e foi um prazer estar aqui essa noite.
Ele começou o show e nós encerramos a plenos pulmões.

E foi de tirar o fôlego encerrar aquele show com toda aquela gente.
Ele foi de tirar o fôlego.
Ele foi de arrepiar.
Ele valeu a pena.

*

Um memoir de dois anos atrás, escrito quatro dias depois da segunda vez que eu pude presenciar esse espetáculo que é o menino Ed Sheeran ao vivo. Mês que vem, ele volta ao Brasil e meu coração e todo o meu eu estão loucos para estar lá, mas não vai dar. Dessa vez, só o coração e a vontade vão ter que bastar. Quanto a saudade desse show, acho que vou carregar para sempre comigo. Foi bom demais viver aquilo tudo com gente que eu gosto e que grita e canta e xinga na mesma sintonia ♡

Palavreando, Vida

“Para a minha Pituca. Amô da vida”.

abril 17, 2017

Há um mês, meu amigo foi para o Brasil visitar a família dele.

Quando você mora fora, toda vez que alguém volta para casa, mesmo que para uma breve visita, é um grande evento, tanto para quem vai quando para quem fica. Como todo o amigo saindo de férias, ele perguntou o que eu queria de lá que não tem aqui. Coisas viáveis, é claro porque se fosse falar as que vem na ponta da língua, não caberiam nas malas. Essas a gente tem que guardar no coração, infelizmente.

Pedi um All Star branco, um All Star amarelo e um livro de poesias do Lucão, o Telegramas. Ah, e pedi também um coador de café de pano porque esses de papel deixam o café com gosto de nada, com gosto de papel mesmo. Como meu Vô, minha Vó e minha mãe me ensinaram, ‘panela velha é que faz comida boa’. Estavam certos, principalmente se tratando de café.

Minha mãe, como toda boa mãe, ficou mais que feliz em mandar tudo o que eu pedi. Como toda boa mãe com saudade, só faltou vir até aqui para entregar tudo do tão pouco que eu pedi. Não foi dessa vez, mas logo ela vem.

Meu amigo, como todo bom amigo, trouxe as encomendas. Fiquei radiante com o All Star, o amarelo não tinha na loja então ela mandou a alpargata de um ano atrás que ela tinha certeza que eu ia amar – e eu amei porque ela me conhece melhor do que eu me conheço – e o livro, na embalagem de presente da Saraiva com a letra dela escrita no selo.

“Para a minha Pituca. Amô da vida”.

Foi um soco no estômago quando eu vi a letra dela. A letra dela continua tão linda, toda uniforme, pequena, delicada. Eu lembrei da maneira que ela escreve, sempre rápida mas cada linha de cada letra com um capricho e simetria de dar inveja. Eu e minha mãe sempre fomos ligadas pelas palavras, principalmente palavras escritas.

A letra dela me deu (mais) saudade de casa.

E como casa é o sinônimo dela, então mais saudade dela.

Saudade dos bilhetes que ela deixava antes de sair encima da minha escrivaninha. “Tira a carne do congelador”, “não esquece de lavar a louça”, “coloca o lixo pra fora”, “amo você, Pitu”.

Saudade dos bilhetes que eu deixava “fui ali e já volto”, “não me espera acordada”, “fui comprar pão”, “te amo, velha”.

E apesar da gente viver numa era de celular e tanta opção de tecnologia que chega a dar tontura, a gente sempre se comunicou por bilhetes porque ela sabia do meu amor pela escrita e eu do quanto ela gostava de escrever. Pensando nisso agora, apesar da minha mãe não ser muito fã de leitura, ela sempre foi muito fã de escrita e eu acho que finalmente entendi, depois de todo esse tempo, de onde vem essa minha necessidade de escrever as coisas a mão antes de passar para o computador, de escreve no papel e caneta antes de ter que, finalmente, me adequar a uma das modernices da vida. Foi ela quem me deu essa sede de escrita, dentre tantas outras coisas maravilhosas que só ela pôde me dar.

Hoje ninguém mais me deixa recado. Vez ou outra um post-it, quando muito. E eu tenho saudade dos bilhetes que ela me deixava, mesmo quando eram só pedindo alguma coisa que eu ia revirar os olhos, mas ia acabar fazendo de qualquer maneira porque o pedido dela era sempre uma ordem disfarçada. Gentil assim, minha mãe. Uma mulher de classe, muitos diriam. E eu que não era boba nem nada, logo fazia o que o bilhete mandava (pedia).

Confesso que eu também não deixo mais bilhetes. Não acho que as pessoas apreciariam um post it colado quando uma simples mensagem no WhatsApp resolveria a situação toda. O que é extremamente triste, confesso. Minha alma é velha quando se trata de palavras. A alma das pessoas é muito nova quando se trata de receber palavras à moda antiga.

O livro do Lucão fala muito de saudade, assim como todo o livro de qualquer poeta que se preze. E a saudade dos bilhetes dela me deu até vontade de criar a minha própria poesia, ela como matéria prima das minhas linhas.

bilhete da saudade

saudade vem das coisas pequenas

da letra uniforme, delicada e bonita

das palavras que guardamos, a muito não ditas

saudade vem do tênis branco, do amarelo e da alpargata crua

saudade é isso mesmo, é da significância de coisas insignificantes 

mas que para a gente que vive de distância

são grandes demais. 

Só quem sofre de saudade o tempo todo

e tem amor das antigas pelas palavras

sabe a diferença que um escrito,

uma mensagem bonita,

uma mensagem bem escrita 

faz. 

Faz saudade parecer menor, mesmo não sendo.

Faz parece que a gente controla o tempo, mesmo não tendo.

Faz a gente ser mais saudade do que já é. 

Saudade vem das pequenas coisas, 

das pequenas palavras, 

dos pequenos gestos

de grandes amores. 

Austrália, Pé na Estrada

UM DIA EM BONDI BEACH

abril 3, 2017

Continuando minha série de posts de Sydney, não podia deixar de falar de uma das marcas registradas da cidade: Bondi Beach. Da água azul, aos icebergs, as pistas de skate, os grafites que cobrem todo o paredão e os surfistas maravilhosos que estão por toda parte, saindo da água como se estivessem em câmera lenta para chamar atenção MESMO, é difícil não se apaixonar por Bondi no minuto que a gente pisa na praia e dá de cara com todo aquele mar azul maravilhoso que parece pintado à mão.

Nos primeiros dias que passamos em Sydney, pegamos um tempo super feio e nebuloso. Sem chuva ou frio, mas com muitas nuvens. Por um milagre divino – valeu São Pedro! – no nosso penúltimo dia, o Universo resolveu conspirar e mandou aquele sol de rachar e sedenta de bronze que somos, entramos no ônibus e partimos. Na realidade, não foi bem assim que a coisa aconteceu. De começo, abriu um solzinho tímido. Fomos para Bondi, tomamos café da manhã por lá e depois caminhamos pela praia. A questão é que durante essa caminhada despretensiosa, abriu um solzão gigante e nós estávamos sem biquini e já era tarde, mas como em Sydney escurece às 21h, voltamos correndo pro hostel, nos trocamos e voamos para a praia para aproveitar até porque todos os dias que ficamos sem sol foram compensados em Bondi o que, convenhamos, não foi nada mal.

Primeiras impressões

Que vibe gostosa da porra! Parece que em Bondi não existe estresse, não existe buzina, não existe barulho e não existe nada além do mar e das ondas. É aquele tipo de lugar que transmite tranquilidade no meio do caos que é Sydney, apesar de Bondi não ser pequena também. Tinha gente trabalhando, gente saindo do trabalho com a prancha debaixo do braço, tinha gente andando, tinha gente pedalando, remando encima do skate, correndo de encontro ao mar com a prancha de baixo do braço, a sede de água salgada visível. Eu olhava ao redor e só tinha gente sorrindo, conversando, cochilando, lendo livro, ouvindo música ou jogando uma partida de vôlei com os amigos em plena quinta-feira à tarde e apesar de saber que a vida não é só feita desses momentos, foi bom olhar ao redor e ver felicidade em tantos rostos desconhecidos.

Chegando na cidade

Ônibus! Acredito que exista trem também, mas nós fizemos o percurso de ônibus, até porque era minha primeira vez e eu queria ver aos arredores, prestar atenção nos caminhos, nas características do lugares que íamos passando. O percurso entre Darlinghurst e Bondi leva em torno de uns 30min. Carregue o Opal, o cartão de transporte público de Sydney e bora pegar um bronze!

O mocha do LYFE Cafe, o melhor que já tomei na vida

Onde comer 

Essa sessão do post nem teria necessidade porque nós comemos apenas em um lugar durante todo o dia. O motivo pelo qual eu estou escrevendo? Eu tomei o melhor mocha da minha vida – sem exagero! – em Bondi, no LYFE Cafe. Se você está andando com pressa e não presta atenção, o café quase passa despercebido, porém, a quantidade de gente do lado de dentro e de fora não nega que o café é favorito da galera que mora pelos arredores. O dono ou manager, é um espanhol tão simpático que chega a ser folgado e faz você se sentir em casa no minuto que pede uma mesa. Experimente também um dos smoothies e o lanche de haloumi com tomate, é de dar água na boca só de digitar e lembrar do gosto!

Foi em Bondi que fiz topless em espaço público pela primeira vez. Eu que sou a favor e faço bom uso das minhas liberdades sem passar por cima da dos outros, assim que percebi que o espaço não tinha nenhuma restrição e muita gente fazendo a mesma coisa, logo arranquei a parte de cima do sutiã e me libertei. Para as meninas que tem vontade de fazer, mas que por algum motivo se restringem, um recado: não tenha medo. O corpo é seu, assim como a liberdade e não há ninguém no mundo que possa dizer o que você pode ou não fazer. Se você se sente confortável e absolutamente segura de si, a única pessoa que vai te impedir de exercer essa liberdade vai ser você mesma.

Bronte Beach

Bondi to Coogee Coastal Walk

Uma das coisas mais maneiras para fazer em Sydney Bondi to Coogee Coastal Walk. O percurso de 6km leva em torno de 1-2 horas para ser finalizado e é uma das melhores atrações da viagem, com vistas incríveis do oceano, das piscinas construídas em conjunto com o mar, das casas de veraneio. Infelizmente, nós começamos a caminhada tarde e não conseguimos terminar todo o percurso porque já estava escurecendo. No entanto, começar a caminhada tarde valeu muito a pena porque pegamos o por do sol boa parte da coastal walk e aficionada que sou por pores do sol, fiquei maravilhada com toda aquela abundância de beleza que nem reparei o quanto a gente já tinha andado.

Existem muitos lugares legais para conhecer na costa de Sydney, como Manly, Coogee, Bronte, Tamarama Beach, Maroubra, dentre outras. Particularmente, fiquei apaixonada por Bondi e a vibe gostosa da cidade. Se tiver um tempo, de quarta-feira rola em Bondi a balada Beach Road, um pub enorme que tem espaço para todo mundo e todos os gostos: rola música ao vivo, pista eletrônica, hip hop and R&B em outra pista. E muita gente bonita, muita mesmo!

Cotidiano, Fotografia

DOMINGO FOI DIA DE CAMINHADA

março 21, 2017

Crédito das fotos para a melhor roommate, fotógrafa e modelo ♡

Dois Domingos atrás deveria ter sido um Domingo qualquer. Nossa folga, a gente em casa sem vontade de viver porque na nossa concepção, Domingo é dia de não fazer absolutamente nada. Mas a gente precisava buscar uma carta do outro lado do rio, o que envolveu pegar o barco de graça da cidade, atravessar o rio na hora do por do sol e andar uns 20 minutos até chegar no nosso destino final.

O que a gente não contava é que aquele por do sol naquele parque seria o lugar ideal para duas aficionadas por fotos resolverem passar um tempo fotografando. Foi a primeira vez que fui num dia de sol no Kangaroo Point Park, o parque que fica exatamente na frente do meu local de trabalho  e eu nunca havia visitado num horário comum. Vimos o por do sol, passarinhos cantando, pessoas caminhando, andando de bicicleta, de skate ou simplesmente paradas, admirando o sol dando espaço para a lua brilhar.

Foi preciso uma caminhada despretensiosa naquela Domingo de sol para eu querer passar a viver de Domingo. Bom, pelo menos uma parte do dia, de qualquer maneira. Quero agora sair de Domingo, andar de bicicleta pela cidade, caminhar em lugares que nunca fui, pedalar para lugares que nunca pensei existir na cidade que moro há um ano mas que me surpreende a cada dia. Foi preciso uma caminhada despretensiosa naquela Domingo de sol para eu mudar minha perspectiva de que talvez e somente talvez, Domingo também seja dia de viver. Talvez seja mais dia de viver do que qualquer outro dia.

Eu precisei daquele Domingo de sol para finalmente parar de acordar às 4h da tarde e passar a explorar a cidade que eu moro. Conhecer parques, cafés, restaurantes, galerias, becos, vielas, bairros, avenidas. Sem querer, a vida vem e coloca na gente uma vontade de fazer algo diferente diariamente, combater a preguiça, parar de criar desculpas, caminhar, correr, andar de bicicleta.

Gratidão por aquele Domingo de sol que me despertou a vontade de viver num dia que eu sempre vivi como se fosse um dia de morrer, de não abrir cortinas, de não sair de casa. Imagine se eu tivesse perdido aquele sol de Domingo? Que tristeza de dia teria sido.

 

 

6 on 6, Artistando, Fotografia

6 ON 6: ADELE LIVE

março 6, 2017

Adele. Ontem foi dia de realizar um dos sonhos de fã: ver esse monumento de mulher ao vivo. Meus amigos, que espetáculo de show, de voz, de mulher, de personalidade, de humor, de uma graciosidade que ela jura que não tem, mas esbanja. Esse é um daqueles shows que eu não me importaria de ir toda semana porque além de ser um puta espetáculo musical, as pausas viram um show de stand-up porque a mulher não para de contar piada e falar palavrão o tempo todo. Que musicalmente seria um show incrível era fato, mas irreverência e humildade da Adele tornou tudo ainda mais prazeroso e quem já era apaixonado pelo trabalho dela, se apaixonou muito mais pela mulher por trás de todo esse vozerão.

Muito amor pela queima de fogos em Set Fire To The Rain, as crianças que estavam no show aparecendo no telão em Sweetest Devotion – me fez chorar um pouquinho – e para a galera fazendo a festa em Rolling In The Deep e cantando com tamanha devoção em Someone Like You. Falando nessa última, o discurso que ela faz antes de começar a cantar é de tirar o fôlego. Minha favorita do show inteiro? Provavelmente Send My Love (to Your New Lover), onde ela pede para todo mundo levantar para cantar, independente da regra do estádio de que todos deveriam permanecer sentados durante o show.

I know heartbreaks can be hard but I’m addicted to the feeling of falling in love with someone for the first time. That is the best feeling in the world.

Pedaço do discurso antes de Someone Like You, a música que encerra o show.

 

Austrália, Pé na Estrada

TRAVEL JOURNAL: SYDNEY, AUSTRÁLIA

fevereiro 27, 2017

Sydney não é a capital da Austrália, mas poderia muito bem ser. Grande, ativa, bem estruturada, bonita, cheia de pontos turísticos, museus, boates, pubs, galerias de arte, cafés, restaurantes, lanchonetes, street markets, coastal walks com praia, piscina e praia e piscina tudo junto, Sydney é um dos lugares mais diversos para onde já viajei. Dos bairros as boates, tem espaço para todo mundo e gente de todos os tipos. Diversidade deveria ser o nome do meio de Sydney.

Quando comprei minha passagem no começo de Janeiro, tinha grandes expectativas nessa viagem por dois motivos: 1) seria minha primeira viagem acompanhada, uma vez que sempre viajei sozinha e 2) seria minha primeira vez em Sydney. Por muito amor do Universo, todas as expectativas foram superadas e fui surpreendida diariamente enquanto turistava pela cidade. Existe um ditado entre a galera que diz que você não chegou na Austrália se não foi para Sydney e não tirou AQUELA FOTO na frente do grande Opera House. Posso dizer agora que, depois de um ano morando aqui, finalmente cheguei, de fato, na Austrália e tirei não só uma, mas VÁRIAS fotos na frente das cascas de laranja mais famosas do mundo.

Primeiras impressões 

Trânsito e muita muita muita buzina. Morando em Brisbane há um ano, me desacostumei com barulheira, cidade grande e buzinas! Acreditem, em um dia em Sydney ouvi mais buzinas do que ouvi em Brisbane o tempo que moro lá. Claro que o tamanho da cidade condiz com a quantidade de carros, pessoas e barulhos, mas mesmo assim, parecia que eu estava de volta em São Paulo, o que me deu uma sensação de casa e logo me acostumei com a barulheira. Outra coisa que você vai perceber assim que chegar, especialmente se já reside na Austrália: a quantidade de europeus em Sydney, especialmente alemães! Que a Austrália é um país multicultural, não é segredo para ninguém, mas a quantidade de europeus é relativamente maior em Sydney se comparada a outras cidades, como Brisbane, por exemplo.

Chegando na cidade

Passagens: como toda boa viajante com o budget apertado que se preze, viajamos com a companhia aérea mais barata e conseguimos pegar passagens em promoção: AU$118, ida e volta pela Tigerair, a companhia low cost mais famosa daqui. Quem curte viajar e não sabe quando comprar passagem, aqui vai uma dica: todas as terças-feiras, a Tiger faz a Tigerair Tuesday, com promoções para vários destinos em várias datas acessíveis. Claro que as ofertas tem data limitada, mas sempre consigo bons negócios durante as terças. Quanto ao tempo de viagem, o percurso inteiro entre Brisbane e Sydney leva apenas uma hora e passa tão rápido que quase não dá tempo de dormir.

No aeroporto: a distância entre o aeroporto e o centro de Sydney é relativamente longa, o que inabilita pegar um Uber por um preço bacana. Já sabendo da distância, decidimos fechar nosso transporte para a acomodação x acomodação para aeroporto com a Redy2Go, empresa especializada em shuttles localizada dentro do aeroporto de Sydney. Por AU$44, fechamos o transporte de ida e volta para o aeroporto, com pickup and dropoff na nossa acomodação. As vans são extremamente confortáveis e possuem Wi-Fi dentro, caso você precise se comunicar com alguém e não possua plano de celular australiano. É muito comum ter Wi-Fi pelas cidades australianas por conta da alta demanda de turistas que chega diariamente.

Parceira de Austrália e dessa viagem maravilhosa ♡

Um dos dormitórios do Nate’s com vista para a Harbour Bridge

A cozinha, ótimo lugar para conhecer a galera do hostel

O rooftop, onde rolam barbecues e uma das áreas comuns para fazer novas amizades

Todas as fotos: Nate’s Place Website

Acomodação

Para a nossa estadia, decidimos ficar no Nate’s Place Backpackers, hostel localizado em Darling Hurst e com uma vista massa para a Harbour Bridge. O hostel é super organizado e limpo, o que nos deixou aliviadas, uma vez que reservamos sem indicação. Havíamos fechado um dormitório mix com 12 camas, mas conseguimos um upgrade com o mesmo valor para um com apenas 6 camas e dividimos o quarto com uma galera super gente boa e divertida. O hostel tem cozinha com vários utensílios para a galera que prefere economizar com comida, sala de televisão, rooftop com barbecue área, banheiros separados por sexo e recepção 24 horas. A diária ficou em torno de AU$27, totalizando para os 4 dias um valor de AU$107. Importante: na hora de efetuar o pagamento, será cobrada uma taxa de AU$20 de segurança, que será devolvida no momento do check-out.

Localização: excepcional! O Nate’s fica bem no centro, há 15 minutos de caminhada do Opera House e da Harbour Bridge e em uma das ruas principais da cidade, a William St. Tem mercado, loja de conveniência, ponto de ônibus, estação de trem tudo na mesma rua. Como nós optamos por fazer tudo a pé, a localização não poderia ter sido melhor. Caminhando 10 minutos, estava o Hyde Park e o Australian Museum e mais um monte de lojas, fast foods, restaurantes, bares, shoppings.

Para mais opções de acomodação, meus dois preferidos para buscas são o Hostelworld e o Booking.com

Café brasileiro no Ovo Café: uma saudade que não cabia no peito ♡

Café, cestinha com coxinha, bolinho de queijo e quibe e pingado com requeijão e catupiry ♡

Fish and Chips, o clássico australiano no Buckleys, localizado na famosa Circular Quay

As panquecas do Pancakes On the Rocks

Onde comer 

Eis aqui uma das minhas partes favoritas de qualquer viagem: COMIDA. Ou melhor, descobrir comidas e restaurantes e sabores. E isso Sydney tem a oferecer para quem quiser, para todos os gostos e paladares. Onde nós comemos?

  • Ovo Cafe – Darlinghurst ($): sem dúvida o meu lugar favorito na viagem. O Ovo é um café brasileiro localizado há 5 minutos no nosso hostel que oferece uma opção vasta de comidas, de café da manhã a almoço. Tem café brasileiro, bolo de cenoura, pastel, bolinho de bacalhau, feijoada, moqueca, frango caipira, etc.
  • Buckleys – Circular Quay ($): nossa voltinha na circular mais famosa da cidade rendeu um almoço típico australiano: fish and chips. O restaurante tem uma vibe bem gostosa e informal, com vista para a Harbour Bridge e cheia de turistas. Se não tiver mesa, peça para sentar com a galera e será super bem recebido.
  • Pancakes On the Rocks – The Rocks ($$): a famosa casa de panquecas da Austrália. Com diversas opções de doce e salgado, vale a pena demais dar uma passadinha e comer uma deliciosa panqueca feita totalmente de leite com manteiga. O menu oferece das mais variadas opções, desde panquecas frutadas as clássicas com sorvete e chocolate. O melhor de tudo? A localização! Fica do lado da Harbour Bridge, no bairro mais legal de Sydney!

Hyde Park

Galeria de Arte de New South Wales

Por dentro o sorriso estava quase rasgando o rosto!

Biblioteca Pública de New South Wales

Sorrindo muito porque como é que não fica feliz viajando? 


Roteirinho de 4 dias!

  • Primeiro dia: café da manhã no Ovo Cafe, passeio pela Art Gallery of New South Wales – para quem curte arte como nós duas, vale a pena conferir os vários Picasso e Monet em exibição na galeria -, volta no Hyde Park, caminhada até Darling Harbour e passeio no SEA LIFE Sydney Aquarium (AU$37.80 com desconto de cupons). Para finalizar a noite, as quartas-feiras rola em Bondi a balada na Beach Road, clube imenso que rola música ao vivo e com pistas de dança para todos os gostos. Entrada gratuita!
  • Segundo dia: passeio pelo Botanic Gardens até a Circular Quay, almoço no Buckley’s, Opera House, Harbour Bridge e ferry até o Luna Park. Com o ferry, tente ficar em um lugar bacana porque rende várias fotos maneiras, principalmente quando ela passa por baixo da Harbour Bridge. Como era Australia Day, acabamos nos juntando com uma galera do hostel para irmos ao Maloney’s Hotel, um pub com música ao vivo pertinho do centro.
  • Terceiro dia: dia na praia em Bondi Beach e coast walk até Coogee. Como só conseguimos pegar sol e calor no terceiro dia, corremos para a praia. O próximo post da viagem vai ser inteirinho dedicado a Bondi, então não vou prolongar muito por aqui.
  • Quarto dia: café da manhã, check-out do hostel e shuttle para o aeroporto de volta para Brisbane.

As opções para roteiros em Sydney são diversas, mas como ficamos pouco tempo, demos prioridades aos principais lugares. Numa próxima visita, com certeza cobriremos mais coisas, como o Blue Mountain National Park, Manly Beach e alguns outros bairros legais, como Newton e o The Rocks.

Os posts dessa viagem ainda não acabaram, tem muita foto para rolar nosso próximos dias. Tem nosso passeio espetacular no SEA LIFE Sydney Aquarium e o dia que passamos em Bondi Beach e nossa caminhada até Bronte, porque não deu para chegar até Coogee por conta do horário que começamos a caminhada.

Quanto ao budget, colocamos uma meta de AU$400 incluindo alimentação, acomodação e transporte, o que conseguimos manter. Comemos pelo menos duas refeições na rua por dia, saímos apenas duas vezes para balada e usamos ônibus e Uber. Eu consegui comprar souvenires e fazer tudo o que queria dentro do meu budget, o que foi uma surpresa imensa porque sou completamente desorganizada e desfocada com dinheiro.

E aí, ficaram com vontade de ir para Sydney? E se já foram, comentem dicas de lugares que eu devo visitar na próxima vez que estiver pela cidade!